Irlanda do Norte novamente perto de eleições antecipadas

Os unionistas do DUP mantêm-se irredutíveis: não querem estar no governo partilhado da região. Mas Londres, que já desmarcou novas eleições várias vezes, pode voltar a fazer o mesmo. Entretanto, aproxima-se o dia 10 de abril, 25º aniversário do Acordo de Sexta-Feira Santa.

Acabou o prazo, mais um, para restaurar o executivo da Irlanda do Norte (quinta-feira, 19 de janeiro) e a região está agora à espera da convocação de novas eleições para o Parlamento. A partir da passada meia-noite, o secretário da Irlanda do Norte, Chris Heaton-Harris, é obrigado a convocar eleições nas próximas 12 semanas. Mas Heaton-Harris pode optar por adiar a votação, como fez no final do ano passado, por via de um ato legislativo da Câmara dos Comuns.

Mas, mesmo que isso venha a acontecer outra vez, nada mudará: a região permanecerá ingovernável e o impasse manter-se-á. O Partido Unionista Democrático (DUP) recusou a reentrar na partilha de poder por causa do Protocolo da Irlanda do Norte e daí não sai.

Os esforços para restaurar o Parlamento, onde o DUP passou a ser minoritário desde as eleições de maio passado – com os independentistas do Sinn Fein a vencerem pela primeira vez na sua história – já falharam em cinco ocasiões.

Depois de Heaton-Harris ter decidido não convocar eleições antes do Natal, introduziu legislação para estender o prazo para a reforma de um governo de partilha. E estabeleceu duas novas datas: 8 de dezembro, com opção de prorrogação de seis semanas até 19 de janeiro. Tudo isso foi ultrapassado – e agora, se não houver outro golpe legislativo, novas eleições deverão ser anunciadas para terem lugar até 13 de abril.

Ora, 13 de abril calha apenas três dias depois do 25º aniversário do Acordo da Sexta-Feira Santa. A data já está a ser preparada e, segundo a imprensa britânica, é possível que o próprio presidente dos Estados Unidos, Joe Biden (que tem ascendência irlandesa) esteja presente.

Uma das razões para o adiamento das eleições foi dar margempara que Londres e Bruxelas voltassem a debater o Protocolo da Irlanda. Essa nova ronda já aconteceu e, como se esperava, nada de novo dela surgiu: o impasse mantém-se as posições dos dois lados permanecem irredutíveis.

O DUP saiu do governo partilhado em fevereiro do ano passado precisamente em protesto contra o Protocolo, que visa garantir o livre comércio na fronteira terrestre irlandesa, mas levou a novas verificações de algumas mercadorias entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte.

Nas últimas semanas, houve especulações de que o bloqueio poderia ser sanado, mas para já nada de concreto existe. Mesmo assim, dizem os analistas britânicos, é possível que a última ronda de negociações entre Heaton-Harris, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, James Cleverly, e o negociador da União Europeia, Maros Sefcovic e os eventiais avanços conseguidos aconselhem a um novo adiamento das eleições.

Os próprios partidos políticos da Irlanda do Norte já disseram que estão relutantes em voltarem às urnas e que os resultados de maio são satisfatórios. Menos, evidentemente, para o DUP – parceiro tradicional do Partido Conservador na Câmara dos Comuns.

 

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