ISEG alerta que escalada da inflação no segundo trimestre pode “arrefecer” a economia

“Apesar da revisão em baixa das previsões de crescimento para a zona euro, continua a manter-se a previsão de crescimento da economia portuguesa em 2022 no intervalo de 6,0% a 7,2%”, refere o ISEG.

“Para a segunda metade do ano não parece improvável que a escalada da inflação, que no presente está longe de poder ser considerada limitada, em amplitude e no tempo, não comece a ter efeitos sobre o consumo privado e em termos de procura externa, contribuindo para um mais rápido arrefecimento do crescimento”, diz o ISEG na Síntese de Conjuntura relativa ao mês de
junho de 2022.

No entanto os economistas do ISEG mantêm as previsões para o crescimento do PIB para este ano.

“Em qualquer caso, não existindo de momento mais dados, e apesar da revisão em baixa das previsões de crescimento para a zona euro, continua a manter-se a previsão de crescimento da economia portuguesa em 2022 no intervalo de 6,0% a 7,2%”, refere o ISEG.

Os economistas lembram que “atendendo aos primeiros dados dos indicadores quantitativos relativos ao segundo trimestre, em particular relativos a abril, a economia portuguesa continuou a crescer em relação à média do 1º trimestre, sustentada no crescimento do consumo e na retoma do setor dos serviços”.

Pelo que “a manter-se em maio e junho esta evolução, isto significa que a variação homóloga do PIB durante o 2º trimestre deverá superar os 7,2% ainda que se espere uma desaceleração substancial do crescimento em cadeia”, refere o ISEG.

Em maio, “depois da queda pronunciada de março originada pela invasão e guerra na Ucrânia, o sentimento económico e níveis de confiança setoriais não mostram uma recuperação significativa na área do euro, antes evidenciando uma relativa estagnação num nível conjunturalmente baixo. Em Portugal, ainda que sem escapar ao ambiente europeu, a evolução destes indicadores tem sido, em geral, um pouco menos pessimista”, reconhece o ISEG.

Recorde-se que, “fruto da situação decorrente da invasão da Ucrânia, das consequências económicas das sanções impostas à Rússia e da escalada da inflação, o ambiente económico na Europa tem vindo a mudar rapidamente”.

O ISEG acrescenta que “em consequência, as previsões de crescimento económico” para este ano, com origem nas principais instituições económicas internacionais, têm vindo a ser revistas em significativa baixa, “enquanto se perspetivam impactos negativos adicionais decorrentes da esperada subida das taxas de juro”.

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