ISEG dá ferramentas de ‘intelligence’ para ser mais competitivo

Arranca em janeiro a primeira pós-graduação em ‘Competitive Intelligence’ em Portugal, dirigida a gestores que consideram a antecipação do futuro fundamental para a tomada de decisão estratégica.

Cristina Bernardo

O CEO já foi vestido com muitas profissões. Basta olharmos para o último século. Houve uma época em que maioritariamente os engenheiros governavam as empresas. Depois vieram os advogados e os economistas, e a seguir os gestores. “No futuro, os líderes das empresas serão aqueles que naturalmente conseguirem compreender e antecipar o futuro antes dos outros”, vinca ao Jornal Económico, Gonçalo João, coordenador da pós-graduação Competitive Intelligence, que o ISEG vai lançar em janeiro de 2018.

José Manuel Diogo, que vai ministrar a disciplina de media intelligence, chama a atenção para a importância estratégica da competitividade, num breve olhar pela História de Portugal. “Quando fomos realmente competitivos foi quando percebemos o futuro antes dos outros”, realça, justificando: “O mundo inteiro conhecia as ferramentas que nós usámos, mas nós fomos os primeiros a usá-las juntas e com um objetivo estratégico, que era obter especiarias mais baratas.”

Pode dizer-se que Portugal foi pioneiro em competitive intelligence? “Dessa forma, não”, dizem os especialistas. Pode dizer-se, isso, sim, que “demos a conhecer o mundo ao mundo através da utilização da análise de informação e da tecnologia da forma que hoje em dia pode ser entendida com competitive intelligence”. O sextante, a bússola, o quadrante e a vela triangular eram as apps da altura.

Gonçalo João, que recentemente concluiu o doutoramento nesta área, explica que “competitive intelligence é um processo sistemático, ético e legal de análise do ambiente que envolve a empresa ou a organização, com o intuito de criar intelligence”. Isto é, com o objetivo de criar conhecimento para a tomada de decisão. Por outras palavras, é toda a informação que pode ser recolhida e analisada, pressupondo à data de hoje a tomada de uma ação estratégica.

Para ter sucesso, um CEO precisa de conhecer todas as variáveis que influenciam o seu mercado para poder antecipar situações que possam ser ameaças ou oportunidades para o negócio. Competitive intelligence, no original em inglês, é assim uma palavra-chave para todos aqueles que já atingiram ou ambicionam atingir a gestão de topo.
“As empresas precisam de ter, pelo menos, uma pessoa com visão do que vai ser o mundo amanhã”, diz José Manuel Diogo. Acrescenta que isso será fundamental para assegurar a competitividade da empresa num mundo digital e globalizado, um mundo “VUCA”, acrónimo que está na moda, formado a partir das iniciais volatile, uncertain, complex and ambiguous, em português, volátil, incerto, complexo e ambíguo.

“Se houver alguém na empresa que esteja na dianteira, alguém cuja preocupação principal seja o que vai acontecer, é óbvio que as decisões serão melhor tomadas, porque estarão mais informadas”, explica Gonçalo João. Mesmo que esse ‘alguém’ não tenha acesso à informação, acrescenta o especialista, terá, no mínimo, consciência de que não está a tomar a decisão com todos os lados existentes. “Ter essa consciência será sempre melhor para o resultado final”.

A pós-graduação em competitive intelligence do ISEG é a primeira em Portugal com este nome (existe um programa em Gestão do Conhecimento e Marketing) e a abranger tantas matérias específicas. O curso está organizado numa dezena de disciplinas, das quais quatro teóricas, com alguma componente prática, e as restantes seis exclusivamente práticas. Além da introdução ao tema da competitive intelligence, as disciplinas abrangem as áreas de estratégia e segurança dos sistemas de informação, sistemas de decisão, ferramentas de recolha e de análise de informação, financial intelligence, business intelligence, media intelligence. As duas últimas disciplinas são quase jogos: análise de cenários e war game. “Além das ferramentas, a nossa ideia é darmos a conhecer aos formandos áreas recentes de conhecimento”, adianta.

O curso do ISEG destina-se, preferencialmente, a quadros e técnicos de recolha de informação e de análise e a todo o tipo de pessoas que têm a ambição de chegar ao topo da gestão de uma empresa, incluindo o cargo de CEO. Arranca em janeiro e decorre até julho. As candidaturas podem ser efetuadas até 17 de dezembro, sendo o numerus clausus 25.

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