Israel: fim do Ramadão faz regressar violência a Jerusalém

Mal a última sexta-feira do Ramadão despertou, voltou a violência entre manifestantes palestinianos e a polícia de Israel. O número de feridos e de presos vai aumentando à medida que as horas passam. Em Teerão, o líder islâmico Ali Khamenei comentou o momento.

Na última sexta-feira do Ramadão, e tal como a polícia israelita tinha antecipado, voltaram os confrontos entre manifestantes palestinianos e as forças da ordem do Estado hebraico, com epicentro, como tem sucedido nas últimas semanas, no Monte do Templo, Cidade Velha de Jerusalém.

Homens mascarados, presumivelmente ligados ao Hamas, que gere a faixa de Gaza, lançaram bombas caseiras e pedras contra as forças da ordem e contra o Muro das Lamentações, enquanto gritaram “Vamos sacrificar nossas vidas por Al-Aqsa”. Segundo relatos da imprensa hebraica, palestinianos moderados conseguiram convencer os manifestantes mais violentos a parar com a confrontação, ao mesmo tempo que a polícia israelita recuava – mas as forças da ordem estão convencidas que a violência vai estar presente ao longo de todo o fim-de-semana. A polícia disse que mobilizou para Jerusalém cerca de três mil efetivos – espalhados pela Cidade Velha e pelas principais vias que levam ao complexo do Monte do Templo.

A última sexta-feira do mês sagrado (para os muçulmanos) do Ramadão também é conhecida entre os palestinianos como o Dia Quds, um dia de solidariedade iniciado pelo aiatolá Khomeini, antigo líder xiita do Irão. Para assinalar o dia, o grupo Jihad Islâmica ameaçou Israel: “o inimigo deve pensar com cuidado e refletir” sobre a capacidade de intervenção armada da organização, disse Abu Hamza, porta-voz da sua ala militar.

Com a Páscoa e o Ramadão, festas móveis e, para desgraça das forças da ordem, a coincidirem no tempo de anos a anos – como sucedeu este ano – a tensões esteve presente ao longo de todo o mês de abril.

Na noite de quarta-feira, mais de 100 mil fiéis muçulmanos participaram em orações na Mesquita de Al-Aqsa para comemorarem o feriado muçulmano de Laylat al-Qadr (Noite do Destino), marcando o dia em que os muçulmanos acreditam que os primeiros versos do Alcorão foram revelados a Maomé pelo anjo Gabriel.

A Jordânia, que administra o complexo, tem criticado duramente, nas últimas semanas, o comportamento das forças de segurança israelitas e acusou Israel de violar o status quo no local, sob o qual os muçulmanos podem visitar e orar enquanto os judeus só podem ali estar durante horários restritos.

Cumprindo essa disposição, a polícia proibiu não-muçulmanos de visitarem o Monte do Templo e o complexo da Mesquita de Al-Aqsa desta sexta-feira até o final do mês do Ramadão, em 1 de maio, a fim de reduzir as tensões e possíveis confrontos.

 

O dia Quds em Teerão

Entretanto, em Teerão, e para comemorar o Dia Quds, o comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), Hossein Salami, previu que o regime sionista de Israel será eliminado do mapa mundial em breve, segundo avança a agência de notícias ISNA.

“Países arrogantes estabeleceram o regime sionista no mundo e esse regime em breve será eliminado do mapa mundial”, disse o major-general, que alertou para que as negociações com Israel nunca trarão paz aos palestinianos.

Rahim Safavi, conselheiro do líder da Revolução Islâmica, também disse na sexta-feira que a “nova ordem mundial acelerará o processo de declínio do regime sionista”. O dirigente afirmou ainda que a normalizando dos laços diplomáticos entre Israel e alguns Estados árabes (com os Acordos de Abraão) não serão nunca uma garantia de segurança.

Teerão assinala o dia em todo o mundo xiita. Entre as diversas realizações, as que terão mais impacto internacional serão a intervenção do ministro dos Negócios Estrangeiros, Hossein Amir Abdollahian, num evento online sobre a Palestina, e a de Ali Akbar Velayati, conselheiro do líder da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, sobre relações internacionais.

Na passada terça-feira, Khamenei saudou os Dias Quds deste ano como sendo diferentes dos anos anteriores. Dirigindo-se a estudantes universitários, disse que “o Dia Quds deste ano é diferente dos outros anos. Os palestinianos têm feito grandes sacrifícios durante o Ramadão do ano passado e deste ano. O regime sionista está a cometer os piores crimes, e os Estados Unidos e a Europa apoiam”.

 

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