Itália: Direita radical alinhada sobre chefia de Governo saído das eleições

Giorgia Meloni, líder dos ultranacionalistas italianos Fratelli d’Italia e favorita à vitória nas legislativas antecipadas, disse esta segunda-feira que o mais votado dos candidatos do campo nacionalista deve ser o chefe de Governo, o que mereceu acordo do potencial “aliado” Matteo Salvini.

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Giorgia Meloni, líder dos ultranacionalistas italianos Fratelli d’Italia e favorita à vitória nas legislativas antecipadas, disse esta segunda-feira que o mais votado dos candidatos do campo nacionalista deve ser o chefe de Governo, o que mereceu acordo do potencial “aliado” Matteo Salvini.

“Se não formos capazes de nos pormos de acordo, não teria sentido entrarmos juntos no Governo”, assegurou Meloni, dirigindo-se ao ultradireitista Matteo Salvini e ao conservador Sílvio Berlusconi.

O campo nacionalista deve “confirmar, também por razões de tempo, normas que sempre funcionaram no centro-direita, que sempre foram respeitadas e não é claro porque deveriam mudar agora”, adiantou.

O seu partido Fratelli d’Italia (FdI, Irmãos de Itália) lidera as intenções de voto para as legislativas de 25 de setembro, na sequência da demissão do primeiro-ministro, Mario Draghi, na passada quinta-feira, após perder o apoio do Movimento 5 Estrelas (M5S), após semanas de divergências relacionadas com a inflação e o conflito na Ucrânia.

Segundo as última sondagens, o FdI e Meloni garantem cerca de 23% das intenções de voto, à frente do Partido Democrata (PD, centro-esquerda) de Enrico Letta (23%) e da Lega Nord (Liga Norte, LN) de Salvini (14%); a formação de Berlusconi, que perdeu alguns dos seus dirigentes por ter recusado apoio a Draghi, ronda os 8%.

Pouco após serem conhecidas as declarações de Meloni em entrevista à cadeia televisiva Canal 5, Salvini manifestou-se de acordo com a líder dos FdI.

“Deixemos as disputas e as divisões para a esquerda. Naquilo que nos diz respeito, estamos dispostos a discutir com os nossos aliados o programa de Governo, começando pelos impostos, imigração e meio ambiente. Quem tenha um voto a mais terá a honra e a obrigação de indicar o primeiro-ministro”, disse o líder da Liga.

Na sua entrevista, Meloni também indicou que aguarda uma campanha “muito violenta”, mas sem se sentir intimidada.

“Creio que a esquerda necessita de criar uma máquina trituradora contra nós porque não podem dizer nada de concreto e verdadeiro”, enquanto “nós vamos falar dos desastres que ocorreram em Itália nos últimos dez anos de governo”, disse.

A líder da direita radical também concordo com Letta de que as eleições serão uma disputa entre os FdI e o PD.

“São os dois principais partidos que se enfrentam nestas eleições num sistema que poderá voltar a ser bipolar. Considero-o uma boa notícia porque na bipolaridade enfrentam-se as identidades: centro-direita contra centro-esquerda, progressistas contra conservadores. É este o confronto e os italianos vão eleger um dos grupos”, assegurou Meloni.

Sobre o programa eleitoral, referiu-se aos “aspetos económicos: apoio à economia real, aos que pretendem trabalhar, às empresas que contratam” e “à questão social, desde os idosos aos jovens, passando pelos novos pobres. Neste momento, não há classe média e uma força social como a nossa não pode ignorá-lo”, argumentou.

A dissolução do parlamento e o consequente término da atual legislatura em Itália, que tem agora marcadas eleições antecipadas para 25 de setembro, é o epílogo de dois pedidos de demissão por parte de Draghi, que continua no cargo de primeiro-ministro até à formação de um novo Governo.

Draghi presidiu a uma coligação de unidade nacional nos últimos 17 meses, desde fevereiro de 2021, quando foi indicado para gerir a crise da pandemia de Covid-19 e a recuperação económica do país, após a queda do seu antecessor, Giuseppe Conte, líder do M5S, que esteve na base da atual crise política.

A coligação foi apoiada por praticamente todos os partidos com assento parlamentar, da esquerda à extrema-direita, exceto pelo movimento ultranacionalista de Giorgia Meloni.

No passado dia 14 de julho, Draghi anunciou que não queria continuar a governar sem o apoio do M5S, quando este partido se absteve num primeiro voto de confiança.

Nessa altura, o Presidente italiano, Sergio Mattarella, rejeitou o pedido de renúncia e pediu a Draghi para tentar novas soluções políticas, com o devido apoio no parlamento.

Na semana passada, Mario Draghi venceu uma segunda moção de confiança, mas perdeu o apoio de três dos partidos que apoiavam a sua coligação – o M5S, o Força Itália e a Liga – o que justificou uma nova visita ao Presidente, para lhe reiterar o pedido de demissão, que foi aceite, levando à antecipação das eleições.

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