Itália: Extrema-direita promete respeitar UE e NATO

A coligação da direita italiana aprovou o seu programa eleitoral para as legislativas antecipadas, prometendo respeitar a NATO e uma União Europeia “menos burocrática”.

A coligação da direita italiana, formada pelos extremistas Giorgia Meloni e Matteo Salvini e pelo conservador Silvio Berlusconi, aprovou hoje o seu programa eleitoral para as legislativas antecipadas, prometendo respeitar a NATO e uma União Europeia “menos burocrática”.

No documento eleitoral, intitulado Por Itália, a coligação, favorita à vitória nas eleições de 25 de setembro em todas as sondagens, expressa o seu “respeito pelas alianças internacionais” de que Itália é membro (como a NATO – Organização do Tratado do Atlântico-Norte, e a União Europeia) e o “reforço do seu papel diplomático no contexto geopolítico”.

Meloni, aliada do partido de extrema-direita espanhol Vox e do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, é frequentemente crítica de Bruxelas, ao passo que Salvini foi, durante anos, um admirador do Presidente russo, Vladimir Putin, enquanto Berlusconi assegurou o “europeísmo” da Aliança Atlântica.

Agora, os conservadores manifestaram o seu respeito pelos compromissos assumidos com a NATO, também sobre os investimentos em matéria de defesa, o apoio à resistência ucraniana à invasão russa e todo o apoio a uma solução diplomática para o conflito.

Por outro lado, deixaram por escrito a sua “total adesão ao processo de integração europeia”, mas “com a perspetiva de uma União Europeia mais política e menos burocrática” e defendendo “os interesses nacionais” no debate europeu, especialmente no respeitante à Transição Ecológica.

Comprometeram-se igualmente a “defender e promover as raízes e identidades históricas e culturais clássicas e judaico-cristãs da Europa”.

Um dos aspetos fundamentais é o que tem que ver com a imigração, num momento crítico na rota do Mediterrâneo central.

Salvini pretende reintroduzir a legislação que aprovou em 2018, no seu período como ministro do Interior, com a qual determinou o encerramento dos portos aos barcos das organizações não-governamentais (ONG) que salvam imigrantes no mar.

A coligação da direita italiana afirma querer “defender as fronteiras nacionais e europeias” de acordo com as autoridades africanas e criar centros de acolhimento nesses países extracomunitários para, a partir dali, gerir os pedidos de asilo antes de chegarem a solo italiano, como está já a fazer no Ruanda o Reino Unido, embora esse acordo só tenha sido posto em prática após o ‘Brexit’ (saída do país da UE).

Em matéria ambiental, a coligação compromete-se a “respeitar e atualizar os compromissos internacionais assumidos por Itália para combater as alterações climáticas”.

Em caso de vitória nas legislativas antecipadas, a coligação formada pelos Irmãos de Itália (extrema-direita) de Giorgia Meloni, pela Liga (extrema-direita) de Matteo Salvini e pela Força Itália do ex-primeiro-ministro conservador Sílvio Berlusconi, compromete-se também a pôr em marcha um programa de obras estratégicas financiadas pelo Fundo de Recuperação da Pandemia de covid-19, no valor total de 191.500 milhões de euros de fundos europeus, como a Ponte sobre o Estreito de Messina, para ligar a Sicília à península, um projeto há décadas concebido e nunca concretizado.

Por outro lado, aspiram a realizar reformas constitucionais que permitam aos cidadãos eleger por sufrágio direto o chefe de Estado, atualmente nomeado pelo parlamento para mandatos de sete anos.

No plano fiscal, a direita pretende reduzir os impostos às famílias, empresas e trabalhadores e alargar um imposto único aos trabalhadores independentes que faturem até 100.000 euros anuais.

Além disso, Meloni, Salvini e Berlusconi querem aplicar um plano de apoio à natalidade, oferecendo creches gratuitas, reduzindo o IVA de produtos e serviços para crianças e adotando políticas de coordenação entre mães e pais.

Todas as sondagens atribuem a vitória por uma larga margem a esta coligação de direita, contra a aliança progressista do Partido Democrata (PD), e o Movimento 5 Estrelas (M5S), vencedor das eleições de 2018 e que agora voltará a candidatar-se a solo, sem se coligar com outras formações políticas.

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