Já foram celebrados 1.400 contratos de trabalho com refugiados ucranianos (com áudio)

Já estão registadas cerca de 29 mil ofertas de emprego na plataforma criada para recolher oportunidades para este refugiados.

Mário Cruz/Lusa

Já foram celebrados, até ao momento, cerca de 1.400 contratos de trabalho com os cidadãos ucranianos, que vieram para Portugal por causa do conflito em curso no leste do Velho Continente, adiantou a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, esta quarta-feira, numa audição no Parlamento, a propósito do Orçamento do Estado para 2022.

“Neste momento, temos 1.400 contratos de trabalho celebrados com cidadãos ucranianos, que, logo num primeiro momento, decidiram começar a trabalhar”, adiantou a responsável, que indicou também que já estão registadas cerca de 29 mil ofertas de emprego na plataforma criada para recolher oportunidades para este refugiados.

Questionada pelo Bloco de Esquerda sobre as condições de trabalho destas vagas, Ana Mendes Godinho garantiu que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) já fez 41 visitas para acompanhar as situações dos trabalhadores ucranianos que foram integrados no mercado de trabalho, além de já terem sido feitos mais de 100 contactos individualizados com trabalhadores.

Além disso, assim que estejam inscritas na Segurança Social, estas pessoas, assegurou a ministra, serão contactadas para “terem informação sobre os direitos e mecanismos”, existindo mesmo um “canal com capacidade de resposta em ucraniano”.

“É evidente a mobilização da sociedade e das empresas”, sublinhou Ana Mendes Godinho, sinalizando, também, que há, neste momento, 5.700 ucranianos em cursos de língua portuguesa.

Face à guerra em curso na Ucrânia, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) criou uma plataforma para recolher as vagas disponíveis para os refugiados ucranianos que cheguem a Portugal. Em menos de duas semanas, foi ultrapassada a fasquia das 20 mil ofertas de emprego e, neste momento, já há quase 30 mil oportunidades registadas, “espalhadas por todo o país”.

O IEFP comprometeu-se também a “disponibilizar cursos de Português Língua de Acolhimento para que os cidadãos ucranianos que cheguem a Portugal” e o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, um decreto-lei que simplifica o reconhecimento das qualificações profissionais destes refugiados, o que deverá facilitar a integração profissional.

A Rússia deu início à invasão militar da Ucrânia a 24 de fevereiro, ou “operação militar especial” na propaganda do Kremlin, e, desde então, o conflito tem estado em curso.

Na audição desta quarta-feira, a ministra do Trabalho adiantou, além disso, que em 2021 a Segurança Social contava já com 473 mil trabalhadores estrangeiros a descontar, ou seja, “10% das pessoas a contribuir para a Segurança Social são cidadãos estrangeiros imigrantes”. Tal, adiantou Ana Mendes Godinho, correspondeu a 1.300 milhões de euros em contribuições, no último ano.

(Notícia atualizada às 11h27)

Relacionadas

Segurança Social ultrapassa pela primeira vez fasquia dos 4,7 milhões de trabalhadores a descontar

A ministra do Trabalho foi ao Parlamento anunciou que, pela primeira vez, a Segurança Social conta com mais de 4,7 milhões de trabalhadores a descontar, entre trabalhadores por conta de outrem e trabalhadores independentes.
Recomendadas

JE Podcast: Ouça aqui as notícias mais importantes desta terça-feira

Da economia à política, das empresas aos mercados, ouça aqui as principais notícias que marcam o dia informativo desta terça-feira.

Medina com “confiança reforçada” na eleição de Leão para o MEE

O ministro das Finanças, Fernando Medina, disse hoje ter uma “confiança reforçada” nas possibilidades de o seu antecessor, João Leão, ganhar a ‘corrida’ à liderança do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), após a “votação pré-indicativa” no Eurogrupo.

Tribunal de Contas destaca atrasos na implementação de medidas para sustentabilidade financeira do SNS

No relatório de acompanhamento da auditoria às contas do SNS e do Ministério da Saúde, o TdC lembra os atrasos em várias medidas que tem vindo a sugerir desde 2015, sublinhando o seu impacto negativo nas finanças nacionais.
Comentários