“Já fui muito feliz na pista de dança”. Recorde a entrevista de DJ Magazino

No dia da sua morte, recorde a entrevista de DJ Magazino ao JE no dia da apresentação do seu livro “Ao vivo”.

Luís Costa, com o nome profissional de DJ Magazino, morreu hoje em Lisboa, revelou a  “Lusa” esta quinta-feira, 9 de dezembro. No dia da sua morte, recorde a entrevista dada pelo artista ao Jornal Económico a 16 de outubro, no dia da apresentação do seu livro “Ao Vivo”.

  • Artigo original publicado a 16 de outubro de 2021

A vida, a carreira e a luta do DJ Magazino. “Já fui muito feliz na cabina e na pista de dança”

Após 20 meses de luta contra o cancro, onde também enfrentou a Covid-19, o DJ português lança o livro “Ao vivo”. Mas a “festa continua” este sábado, indo atuar pela primeira vez em quase dois anos.

Uma luta pela vida e não contra a leucemia, a doença que enfrenta há 20 meses. É esse o mote que Luís Costa, que usa o nome Magazino na cabina de DJ, leva ao peito nesta nova fase da sua vida.

Um dos nomes mais incontornáveis da música eletrónica portuguesa, que durante os seus 25 anos de carreira passou pelos maiores palcos a nível nacional e internacional, lançou um livro de memórias sobre a infância, a vida de DJ e a doença.

“Ao Vivo” foi escrito após uma espécie de catarse, um momento de libertação, contou. “A ideia surgiu de um amigo meu Rui Estêvão, radialista da Antena 3, que me sugeriu, quando estava internado, que devia escrever um livro de memórias”, contou ao Jornal Económico (JE).

No momento da entrevista com o JE, Magazino encontrava-se no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, “a fazer transfusões”, e regressaria mais tarde “para fazer quimioterapia”.

O processo, que foi feito em colaboração com a jornalista Ana Ventura, “foi demorado porque como passei quase cinco meses internado foi tudo feito à distância”, revela, acrescentando que foram feitas “muitas videochamadas” e que só se encontraram apenas “uma ou duas vezes no final”.

No livro é partilhada uma vida: “Falo da minha origem, que é açoriana, tendo depois crescido em Setúbal e vivido em Barcelona, Porto e Lisboa. Falo das minhas memórias, daquilo que achei relevante, inclusive de coisas das quais não me orgulho, para as pessoas perceberem que também passamos por momentos maus na nossa vida”, conta na chamada telefónica realizada na sexta-feira, 15 de outubro.

O livro divide-se em três partes: “O Luís”, onde são relatadas as origens do DJ; “O Magazino”, um retrato de 25 anos de carreira pelo mundo; e a terceira e última parte, “A Luta”, o diário dos últimos 20 meses, período em que “tem tentado superar a doença” oncológica, feito a partir de uma descrição crua, que, pelo que tem percebido, tem “uma influência muito positiva nas pessoas”.

Além da leucemia, foi também diagnosticado com Covid-19, algo que agravou a doença e potenciou um período de coma de 30 dias. “Durante quase três meses não pude fazer quimioterapia por causa da Covid e durante esse tempo a doença alastrou-se muito no meu corpo. Estou com sequelas ainda hoje”, admite.

O lançamento do livro teve lugar na quinta-feira, 14 de outubro, no Lux em Lisboa, “uma instituição maior da musica eletrónica e da noite em Portugal”.

“Como sou DJ, já fui muito feliz na cabine do Lux, e na pista de dança”, conta entre risos. Este sábado, 16 de outubro, a festa continua na Piscina Olímpica do Restelo, também em Lisboa onde o DJ vai voltar a atuar.

“Será um festa de celebração à vida. É o meu regresso à cabine passados 20 meses”, conta, admitindo estar “bastante expectante e nervoso”, sentimentos “típicos que surgem antes de tocar”.

Apesar do lançamento ser um momento de celebração, Magazino revela que os últimos dias de entrevistas têm sido “cansativos”. “Falei com as minhas médicas aqui no IPO e percebemos qual poderia ser a altura do mês em que me sentiria melhor. Condensei tudo para esta semana”, adianta, revelando que esteve a “assinar livros no Lux até às 1h30 da manhã”. Apesar do esforço, admite que tudo isto lhe dá “muita felicidade e energia”.

Quanto ao seu estado de saúde, as notícias não são as mais animadoras. “As previsões são péssimas, na verdade” diz, expectante de que surja uma nova terapêutica para a quimioterapia. Caso contrário, “não me resta muito tempo de vida”.

Para trás deixará as receitas do livro que vão reverter, na totalidade, para duas associações: 50% para a Associação Portuguesa Contra a Leucemia; a outra metade para a Heal Me, que, refere Magazino, introduziu a terapia holística na sua vida e o ajudou a “mudar o mindset”.

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