“Já ninguém quer investir em algo que destrói o Planeta”, diz especialista em finanças sustentáveis

Segundo Tanja Gihr, do Barclays, os investidores queixam-se de existir pouca informação de sustentabilidade sobre as empresas que não estão cotadas ou se encontram em ‘early-stage’ – mas precisam de ter dados, saber se têm um comité responsável pelas questões ambientais, sociais e de governança, por exemplo.

Os investidores estão cada vez mais comprometidos com as métricas de sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa, garantiram os oradores presentes no último dia da primeira edição da Sustainable Finance Week no ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão, em Lisboa.

Numa economia global em constante mudança nos padrões de consumo, “já ninguém quer investir em algo que destrói o planeta”, segundo disse Tanja Gihr, managing director e líder de Assessoria em ESG (Environment, Social and Governance) na região da Europa, Médio Oriente e África no Barclays, no painel “Práticas do sector privado: compliance com a regulamentação ESG e expectativas e tendências de mercado”.

“As instituições com as quais falamos querem e têm de cumprir com a regulamentação e ir ao encontro do que os investidores pretendem, portanto têm de conseguir demonstrar a sua implementação dos critérios ESG. A missão é simplificar. Nem sempre é fácil, mas tem-se sempre de começar por algum lado. O importante é estabelecer metas e KPIs [Key Performance Indicators]”, afirmou a especialista.

De acordo com Tanja Gihr, os investidores precisam de mais dados, de saber se têm um comité responsável pelas questões ambientais, sociais e governamentais das organizações e que passos concretos foram dados além dos debates sobre o tema. Porém, queixam-se de existir pouca informação sobre as empresas que não estão cotadas ou se encontram em early-stage (fase inicial).

Como investidor em energia limpa, Joost Bergsma, líder de Gestão de Ativos na sociedade britânica Glennmont Partners, conta que a primeira abordagem num negócio de eólica ou solar não é fácil. “Inicialmente começamos por abordar e integrar a comunidade local (populares, atividades da região, vizinhos…). A seguir, fazemos a due diligence ambiental e os estudos científicos para depois recorremos às autoridades locais para perceber se os projetos são viáveis”, contou, no debate moderado por Miguel J. Martins, sócio de Investimentos Sustentáveis na Grosvenor e instrutor na Graduate School of Design da Universidade de Harvard.

Euronext revê política de viagens para ajudar ambiente

A CEO da Euronext Lisbon revelou que o grupo pan-europeu de bolsas está a desenvolver uma nova política de viagens para reduzir a sua pegada carbónica, porque debate-se neste momento com questões, como “é precisar fazer menos viagens, que durem mais tempo ou ir de comboio?”. “Medir os KPI e um verdadeiro desafio. Nós, como o maior grupo de bolsas da Europa, temos de dar o exemplo”, afiançou Isabel Ucha.

Isabel Ucha destacou que os países que representam mais de 65% das emissões de gases com efeito estufa e 70% do PIB global assumiram a missão de atingir a neutralidade carbónica até 2050, o que prova que “houve progresso por parte das economias”. “Mas, de acordo com as estimativas, só foi feito 10% do investimento para que estas ambições sejam cumpridas”, advertiu, salientando que “os mercados de capitais são estruturas críticas para alcançar esses investimentos e podem impulsionar a agenda ESG.

A líder da bolsa de Lisboa fez ainda referência aos estudos que apontam que “muitas das tecnologias que tornam estes objetivos possíveis ainda estão por desenvolver, mas existem outras que já estão no mercado”, como por exemplo a eletrificação do sector automóvel. “A produção de veículos elétricos devia ser dez vezes maior até 2030”, diz.

“Neste contexto de crise na Ucrânia é mais importante que nunca pensar no futuro do planeta. Já fizemos compromissos muito grandes agora temos de os pôr em prática, passar à ação. As bases da cooperação entre as instituições de investimento e o sector corporate existem”, concluiu Maria Mendiluce, CEO da We Mean Business.

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