Jeremy Corbyn indica que poderá abandonar cargo no “início do próximo ano”

Depois da hastag #CorbynOut ter ganho força e das criticas de alguns membros do partido, o líder do derrotado dos Labour sugere que um novo presidente poderá ser eleito na próxima assembleia geral do partido.

Depois de Boris Johnson ter vencido as eleições com uma maioria absoluta, o líder do Partido Trabalhista admitiu que poderá abdicar do cargo “no ínicio do próximo ano”, mas só depois de ser eleito um novo líder partidário.

Numa entrevista à Sky News, citada pelo jornal britânico Independent, Jeremy Corbyn reconhece a derrota mas recusa a assumir a responsabilidade pela falta de votos. “Tenho orgulho no manifesto que apresentámos”, afirmou. “A eleição foi dominada pelo Brexit”.

Sobre se continuará como líder do Labour durante a próxima legislatura, Corbyn explicou que “o Comité Nacional Executivo terá que se reunir, é claro, num futuro muito próximo, e depende deles. Será no início do próximo ano. ” O comentário sugere que Corbyn planeia permanecer até que um sucessor seja eleito, em vez de facilitar a nomeação de um líder interino.

“Fui eleito para liderar o partido e acho que o mais responsável a fazer é não é deixar o partido”, insistiu.

“Um golpe devastador”, “Odiavam Johnson, mas temiam Corbyn” ou “as pessoas não conseguiram ver o Labour como um veículo da mudança”. Estas foram apenas algumas das primeiras críticas que se fizeram ouvir entre os trabalhistas depois de as primeiras projeções deixarem antecipar uma derrota pesada do Partido Trabalhista – a pior da formação desde 1935.

A quarta derrota seguida do partido depressa se traduziu em críticas contra Jeremy Corbyn, o líder trabalhista que nunca deixou muito clara, ao longo da campanha, a sua posição em relação ao grande assunto em causa: o Brexit.

Margaret Hodge , que conseguiu assegurar um assento no Parlamento britânico, twittou: “Corbyn fala sobre um período de ‘reflexão’. Eu refleti. Falhou. Por favor, demita-se”.

Quando questionado sobre o porquê de uma derrota tão pesada, Corbyn admitiu ter feito tudo ao seu alcance para liderar o partido. “Fiz tudo o que pude para desenvolver as políticas e, desde que me tornei líder, os membros mais que duplicaram e o partido desenvolveu um manifesto muito sério”, afirmou.

A verdade é que com a hashtag #CorbynOut a começar a ganhar balanço no Twitter, a pressão para que Corbyn se demita vai subir nas próximas horas. Até à meia noite, o líder trabalhista não tinha ainda reagido.

Com os votos a serem já contados, a deputada Siobhain McDonagh não hesitou em garantir que os mais resultados do Labour eram “culpa de um só homem”. No Twitter, McDonagh escreveu: “A minha circunscrição foi abandonada por Jeremy Corbyn. Os que não têm casa, nem emprego decente e que se preocupam com o NHS [o equivalente britânico ao serviço nacional de saúde]. Eu preocupo-me com os meus eleitores”.

A McDonagh junta-se o também deputado Ian Murray. “A cada porta que bati, e eu e a minha equipa falámos com 11 mil pessoas, todos referiram Corbyn. Não o Brexit, mas Corbyn. Há anos que digo isto. O resultado é que desiludimos o país e temos de mudar de rumo rapidamente”.

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