Jerónimo de Sousa. 18 anos de liderança em 25 frases

Uma seleção de frases de Jerónimo de Sousa, que faz a sua última intervenção, na abertura da Conferência Nacional do PCP, como secretário-geral do PCP, após 18 anos à frente do partido.

“Como cogumelos mais ou menos venenosos e matizados ressurgem os que (…) que pela enésima vez traçam o fim do PCP, dão conselhos aos seus militantes, repetem sentenças até à exaustão (…) Essas profecias, mais ou menos cangalheiras, já tem barbas. E barbas brancas. Mas cuidem-se, desiludam-se em relação a este partido, porque podem pôr as barbas de molho,”

Jerónimo de Sousa, único candidato à liderança do PCP, no primeiro discurso perante o XVII Congresso do partido, a decorrer em Almada (27/11/2004).

 

“Perdi a voz, mas não perdi a esperança.”

Antes de abandonar um debate na RTP-1, logo a seguir ao intervalo, com os líderes do PSD, PS, CDS-PP e BE por se encontrar afónico (15/02/2005).

 

“É tempo de o primeiro-ministro [José Sócrates] perceber que já não pega quando apela aos sacrifícios e à compreensão de todos os portugueses, enquanto permite que um punhado de nababos amassem fortunas colossais.”

09/09/2007

 

“Afinal a crise não é para todos, é para quem trabalha, vive da sua reforma, pensão ou pequeno rendimento. Para os ‘senhores’ é a vara larga e muitos deles deviam era estar presos, tendo em conta aquilo que fizeram na banca e em termos de corrupção.”

04/07/2009

 

“Não seremos governo a qualquer preço, por meros arranjos e acordos artificiais a pensar mais nas postas e nas pastas que na política a concretizar.”

06/09/2009

 

“É preferível a luta e o protesto do que a paz dos cemitérios.”

Sobre medidas de austeridade apresentadas pelo Governo de José Sócrates (13/05/2010).

 

“O PS é um pouco um partido intermitente, quando está no poder ou próximo de o ser usa muito a rosa, quando está na oposição e distante do poder usa o punho.”

11/09/2011

 

“Os portugueses sabem hoje e por experiência própria quanto valem as palavras de Passos [Coelho] e [Paulo] Portas. Duram tanto como a manteiga em focinho de cão.”

28/02/2015

 

“O Governo [de coligação PSD/CDS-PP] foi uma autêntica fábrica de pobres em Portugal.”

20/05/2015

 

“O PS só não forma Governo se não quiser.”

10/10/2015

 

“Ninguém pense que o PCP poderia funcionar como peninha no chapéu. [A solução governativa] resultou de uma conjuntura muito concreta, que acho que não é repetível.”

Quando questionado sobre a hipótese de haver no futuro uma maioria absoluta do PS (Antena 1, 08/06/2017).

 

“Obviamente, não se pode estar bem com Deus e com o diabo ao mesmo tempo, independentemente de quem seja o diabo.”

Renascença/Público (01/02/2018).

 

“Não há nenhum avanço, nenhuma medida positiva, nenhuma conquista nesta nova fase da vida política nacional que não tenha a marca do PCP.”

11/11/2018

 

“Não vou calçar as pantufas, vou continuar como militante, como a pessoa que sou, a ajudar o meu partido. Continuarei a ser comunista.”

Lusa (02/03/2019)

 

“Não me surpreende aquele estilo [de André Ventura, candidato presidencial do Chega], descontando as encenações e o mau ator de teatro que seria, que vive de proclamações, mas proclamações com um sentido preocupante, na medida em que já vimos este filme aqui há 40 e tal anos e lutámos muito para que isso não se repita.”

Referindo-se ao regime fascista do Estado Novo (07/01/2011)

 

“É a substituição do capitalismo pelo socialismo que, no século XXI, continua inscrita como uma possibilidade real e como a mais sólida perspetiva de evolução da humanidade.”

15/04/2021

 

“No bife do lombo dos interesses do capital o PS não toca e alinha com PSD, CDS-PP e seus sucedâneos.”

19/09/2021

 

“Porque havíamos de ser penalizados [nas eleições legislativas de 30 de janeiro]? Por fazer bem ao povo?”

Lusa (31/12/2021)

 

“Quando um homem perde os bens, perde pouco. Quando perde a dignidade, perde muito. Quando perder a coragem, perde tudo.”

Na primeira reação ao resultado das eleições legislativas, em que o PS vence as eleições com maioria absoluta (30/01/2022).

 

“Somos o Partido Comunista Português a quem os momentos bons não descansam e os momentos maus não fazem desanimar.”

Numa referência aos 100 anos de história do partido (19/02/2022).

 

“O PCP não apoia a guerra [na Ucrânia]. Isso é uma vergonhosa calúnia. O PCP tem um património inigualável na luta pela paz. O PCP não tem nada a ver com o Governo russo e o seu Presidente.”

No comício comemorativo do 101.º aniversário do PCP, no Campo Pequeno (06/03/2022).

 

“A Festa do Avante! não é o que pintam. Insisto nisto: é uma festa da paz, não é uma festa da guerra!”

02/09/2022

 

“Isto é quase um desabafo pessoal, os meus camaradas perdoar-me-ão, mas tive sempre esta ideia: ninguém é insubstituível. (…) A lei da vida não perdoa a ninguém.”

Lusa (22/10/2022).

 

“Em relação à solução quero dizer que houve uma ampla convergência, não quero dizer unanimidade porque o rigor dos números nesta matéria é importante, mas uma ampla convergência em relação à solução. (…) O Comité Central resolveu concordar comigo em termos de substituição na tarefa aplaudindo-me quatro minutos de pé.”

No final da reunião do Comité Central, sobre a escolha de Paulo Raimundo para secretário-geral do PCP, (06/11/2022).

 

“Disse ‘até amanhã’ ontem [sábado] no Comité Central, mas com a convicção de que vou de consciência tranquila porque saio como entro, no plano económico e financeiro, independentemente da atribuição de esta ou daquela subvenção, que não é para mim.”

Idem, ibidem

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