“Jerusalém, a Biografia” de uma cidade que continua a dividir o mundo

Há uns milénios que a cidade dá que falar e Donald Trump colocou-a de novo nas primeiras páginas dos jornais e nas aberturas dos telejornais.

Quando foi conquistada por David, cerca de 1000 a.C., Jerusalém era já uma povoação antiga, tida por inexpugnável, erigida na montanha, por entre penhascos, sujeita a invernos frios e verões de calor abrasador. Jerusalém, a cidade universal, alegadamente capital de dois povos e lugar santo para as chamadas três religiões d’O Livro – judaísmo, cristianismo e islão –, prémio dos impérios e local previsto para o dia do Juízo Final, permanente campo de batalha do atual choque de civilizações, volta a ser palco de fanatismos, intolerância e incompreensão.

Em “Jerusalém, a Biografia”, publicado pela Alêtheia Editores, Simon Sebag Montefiore narra a história da cidade desde o rei David até Barack Obama e o conflito israelo-palestiniano. Trata-se de uma narrativa épica de 3000 anos de fé, conquistas, matanças, intransigência religiosa e coexistência ou tentativas de coexistência pacífica. Como foi que esta pequena e longínqua cidade veio a ser a Cidade Santa, o “centro do mundo”, como era representada nos mapas medievais?

A biografia da cidade é contada através das guerras, paixões e revelações de homens e mulheres – reis, imperatrizes, profetas, poetas, santos, conquistadores e prostitutas (Flaubert, por exemplo, confessou ter viajado pela região mais em busca de êxtase carnal do que espiritual) – que criaram, destruíram, escreveram sobre e acreditaram em Jerusalém. Baseando-se sobretudo em investigação histórica, Montefiore analisa a aura de santidade e misticismo que envolve a cidade, a sua fortíssima identidade (ou melhor, identidades, dado que é constituída por um mosaico sociocultural) e a história conturbada.

Apesar de se tratar de um tema tão delicado, e dos seus laços familiares com Jerusalém, o autor consegue um retrato bastante equilibrado e aprofundado da cidade que, estando no centro, continua a dividir o mundo.

A sugestão de leitura desta semana da livraria Palavra de Viajante

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