O secretário de Estado Adjunto e da Energia disse esta quarta-feira que a introdução do hidrogénio aumenta o valor económico de cada euro investido em eletricidade. João Galamba considera que a eletricidade sob a forma molecular complementa o armazenamento que o país tem nas barragens, não concorre com as baterias e gera segurança no sistema elétrico.

“Com a forte penetração solar, os próprios investidores questionavam-se sobre a viabilidade de investimentos em renováveis, porque a massificação de investimentos em renováveis deprime significativamente o preço do mercado grossista e se a curto prazo podia haver ganhos a médio e longo prazo podia começar-se a pôr-se em causa o investimento em solar”, afirmou João Galamba, na sessão de abertura do segundo dia da “Portugal Smart Cities Summit 2020”, que conta com o Jornal Económico como media partner.

O secretário de Estado referiu que o Governo não obriga nenhuma empresa a investir no hidrogénio, apenas disponibiliza as condições para tal. “Sabemos que há muitas que o querem fazer e outras que não têm alternativa”, asseverou, dando como exemplo o caso do complexo químico de Estarreja, onde se encontra a Bondalti, que “ou descarboniza com hidrogénio ou desaparece”. “Não sou eu que o digo são as próprias empresa”, admitiu.

“O hidrogénio surgiu de forma natural, porque há uma relação simbiótica entre a eletrificação crescente e o hidrogénio verde. É tornado possível porque há uma eletrificação crescente e a eletrificação crescente beneficia da introdução do hidrogénio”, explicou, no evento que decorre no Centro de Congressos de Lisboa e é o ponto de encontro de profissionais que se dedicam futuro das cidades.

Reiterando que acredita que a descarbonização é uma “excelente oportunidade” para Portugal, João Galamba prevê que a próxima década será “verdadeiramente transformadora” para o país, para a economia nacional e, em particular, para as cidades, do litoral ou do interior, independentemente da sua dimensão, pelo que o caminho dos concelhos deverá ser a transição energética.

“Se fossemos a Polónia, a República Checa ou Arábia Saudita provavelmente as decisões não seriam tão simples, mas Portugal não produz carvão e não extrai petróleo nem gás, portanto é mais fácil abandonarmos esse modelo. Portugal tem uma extraordinária oportunidade nessa matéria [descarbonização] e é realisticamente ambicioso. Temos recursos que nos permitem tirar partido desse propósito”, explicou o governante.