João Lourenço admite acelerar privatizações face à queda do barril de crude

O Presidente angolano admite acelerar privatizações face à queda do barril de crude.

José Sena Goulão / EPA

O Presidente angolano admitiu hoje a possibilidade de acelerar o processo de privatizações em Angola caso se mantenha a tendência de queda do preço de barril de petróleo, defendendo que o atual valor é “mau” para quem produz.

João Lourenço falava em Lisboa, em conferência de imprensa, no final de três dias de visita de Estado a Portugal, tendo sido questionado pelos jornalistas sobre as consequências da forte queda do preço do barril de crude no mercado internacional, desde logo no programa de privatizações, que deveria prolongar-se até dezembro de 2019.

“Nós temos um calendário de privatizações que (…) pode vir a ser influenciado caso o preço do barril de petróleo siga esta tendência baixista. Se seguir essa tendência baixista, com certeza que o calendário deverá ser ajustado com mais facilidade”, explicou, admitindo que o processo venha a ser mais rápido.

O grupo da petrolífera estatal angolana Sonangol lidera este processo de privatizações, com a administração a pretender privatizar 52 empresas e dois conjuntos de ativos de atividades não nucleares do grupo.

A informação consta de uma apresentação da empresa, noticiada anteriormente pela Lusa, com o balanço de atividades e perspetivas da petrolífera e a medida, lê-se, está de acordo com os “princípios e critérios orientadores” no âmbito do Programa de Privatizações em Bolsa (POPIB), lançado pelo Governo angolano.

Ainda sobre as consequências da queda de valor no mercado internacional, João Lourenço escusou-se a definir “exatamente a que preço é que gostaria de ver” o barril de petróleo: “Direi apenas que quanto mais alto melhor. Há relativamente pouco tempo o preço estava muito próximo dos 80 [dólares por barril], para nós era bom enquanto produtores. Neste momento, ontem [sexta-feira], estava a 53 [dólares por barril], é mau para quem produz”.

Defendeu, por isso, no âmbito da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), um equilíbrio nos preços, até porque valores à volta dos 100 dólares por barril, como acontecia ainda em 2013, são “irrealistas”.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo em África, atrás da Nigéria, e tem vindo a apresentar um declínio de produção em alguns campos.

Na sexta-feira, em declarações à Lusa, em Lisboa, à margem desta visita de Estado, o ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, mostrou-se preocupado com a forte queda do preço do barril de crude no mercado internacional, receita essencial para o Orçamento Geral do Estado (OGE) angolano.

Só na última semana, a referência europeia do petróleo, o Brent, recuou 7,10%, para os 58,08 dólares (uma queda de 4,44 dólares) por barril, atingindo na sexta-feira a cotação mais baixa desde outubro de 2017.

“Nós internamente já estamos a trabalhar sobre vários cenários e também temos estado a acompanhar o mercado. Vamos ver como é que o mercado evolui até ao final do mês de dezembro e aí estaremos nas melhores condições de definir qual o cenário mais apropriado para ser adotado”, disse Archer Mangueira, questionado pela Lusa.

A produção de petróleo bruto em Angola deverá cifrar-se em 2019 nos 573 milhões de barris, garantindo receitas fiscais para o Estado de 5,158 biliões de kwanzas (14.600 milhões de euros), segundo a previsão do Governo.

De acordo com dados do relatório de fundamentação da proposta de OGE para 2019, em discussão na Assembleia Nacional angolana até dezembro, o Governo estima a exportação de cada barril de crude a um preço médio a 68 dólares, face aos 50 dólares inscritos nas contas de 2018.

Essa previsão já é inferior à atual cotação do mercado internacional, inferior a 60 dólares por barril esta sexta-feira, o que representa, nas últimas sete semanas, a perda de cerca de um terço do seu valor.

Questionado pela Lusa, Archer Mangueira assumiu estar preocupado com este cenário, mas afastou, para já, alterações à proposta de OGE preparada pelo Governo, apesar de a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) já ter alertado, no parlamento, para o risco de ser necessário um Orçamento retificativo em 2019, face à queda da cotação do petróleo.

Na previsão do Governo, a produção média diária de petróleo bruto em 2019, em Angola, será de 1,57 milhões de barris – em linha com a média dos últimos dois anos –, acrescida de 100.000 barris diários de LNG (gás natural).

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