João Lourenço fala em “vitória inequívoca” do MPLA e afasta “geringonça” (com áudio)

Aos jornalistas, o líder angolano destacou que as “eleições livres, justas e transparentes” já mereceram reconhecimento internacional e que o resultado lhe deu legitimidade para governar sozinho, sem “necessidade de fazer nenhuma geringonça”

O presidente de Angola, João Lourenço, disse no seu discurso de vitória das quintas eleições gerais do país que “vitória inequívoca” do MPLA é voto de confiança no seu projeto para o país e lhe deu legitimidade para governar sozinho, sem “necessidade de fazer nenhuma geringonça”

A última declaração surgiu em resposta direta ao jornalista da “Lusa” que, em conferência de imprensa, o questionou sobre possível legitimidade adicional caso permitisse que uma comissão internacional validasse as atas das mesas de voto.

“A vontade soberana do povo angolano, expressa através do voto nas eleições de 24 de agosto, confere ao MPLA a legitimidade de governar Angola em toda a sua extensão territorial no mandato de 2022 a 2027”, afirma em conferência de imprensa. Do seu ponto de vista, esta é a “vitória da humildade, seriedade e estabilidade”.

Os resultados definitivos de Angola divulgados esta segunda-feira pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE) garantem a vitória do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) com 51% dos votos contra 44% da UNITA. É o pior resultado em eleições para o regime desde 2008. A oposição, liderada por Adalberto Costa Júnior, venceu as províncias de Luanda, Cabinda e Zaire.

A “vitória inequívoca” é um voto de confiança num “um executivo que assume compromissos políticos com coragem e responsabilidade, que não tem medo de romper com os poderes instalados e fazer as mudanças necessárias, que luta pela transparência e eficiência das instituições do Estado, que não baixa os braços perante as dificuldades, procurando sempre assegurar mais desenvolvimento e progresso para Angola e para os angolanos”, defende.

Ademais, a vitória valida o “programa focado na diversificação da economia e na criação de emprego, na formação de quadros e reforço do sistema de ensino, na modernização da administração pública e na descentralização do Estado, no alargamento dos serviços de saúde e do saneamento básico”, que tem em vista uma “Angola mais próspera, desenvolvida e inovadora”.

Lourenço, que prometeu ser o “presidente de todos os angolanos”, destacou que quer trabalhar para uma “grande economia e grande democracia, com as mesmas oportunidades para os angolanos poderem prosperar”.

Questionado sobre os resultados nas províncias em que ficou em segundo lugar, em especial em Luanda, o líder do MPLA disse que “qualquer concorrente não só quer mais como quer tudo, mas a vida não é bem assim. Estou satisfeito com o resultado que os angolanos me quiseram conferir. Nós respeitamos a vontade do povo”.

“As eleições foram gerais, não autárquicas, por isso o que esteve em disputa foi o lugar do presidente e dos deputados no parlamento. E o MPLA saiu vencedor com maioria absoluta, o que não deixa dúvidas”, acrescentou.

Sem fugir ao tema que tem dominado grande parte da campanha e do processo eleitoral, o líder do MPLA disse que, “ao abrigo da lei, para alem do Presidente da República, do Tribunal Constitucional, da Assembleia Nacional, e da CNE, todos os partidos políticos e coligações tiveram o direito de convidar um número igual de observadores. É importante reconhecer que a imprensa nacional e estrangeira teve total liberdade de movimentação e de acesso à informação”, fatores que contribuíram para que a comunidade internacional reconhecesse “estas eleições como livres justas e transparentes”.

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