“Pandemia e guerra na Ucrânia afetaram muito o orçamento do Estoril Open”

Nesta entrevista ao programa “Jogo Económico”, João Zilhão, diretor do Estoril Open, explica como a pandemia e a guerra na Ucrânia afetaram de forma significativa o orçamento do evento, que ronda os quatro milhões de euros, e que desafios esta organização teve que enfrentar para satisfazer os altíssimos padrões de qualidade dos patrocinadores.

Margarida Grossinho

Dois anos depois, vamos ter o público de regresso àquele que é um dos maiores eventos desportivos do ano em Portugal. O Estoril Open, que foi cancelado a trinta dias do seu início em 2020 e regressou sem público em 2021, começa este sábado e prolonga-se até 1 de maio: são esperados 43 mil espectadores presencialmente e um incremento significativo das visualizações das partidas tendo em conta o reforço na componente digital.

Nesta entrevista ao programa “Jogo Económico”, João Zilhão, diretor do Estoril Open, explica como a pandemia e a guerra na Ucrânia afetaram de forma significativa o orçamento do evento, que ronda os quatro milhões de euros, e que desafios esta organização teve que enfrentar para satisfazer os altíssimos padrões de qualidade dos patrocinadores.

O Estoril Open já ultrapassou há muito o epíteto de grande evento desportivo. Que desafios são colocados ao nível do que é a componente social?

Sem dúvida. O Estoril Open é não só o maior evento desportivo mas também um dos maiores eventos sociais e de relações públicas, uma oportunidade para que as marcas possam interagir com os seus melhores clientes ao longo do ano. Isto depois de dois anos de sofrimento em que não pudemos ter público, em que o evento foi cancelado a 30 dias do começo devido à pandemia e depois de, em 2021, termos tido o evento à porta fechada.

Algo que retirou uma componente decisiva desta modalidade: a presença do público.

Sim, em 2021 colocámos de pé o Estoril Open mas acabou por ser um evento muito triste. Faltou o calor humano, as palmas… algo que é absolutamente essencial para um torneio destes. Mas atenção: foi muito importante manter o evento vivo, apesar do mesmo ter um cariz meramente televisivo em que levámos 2.300 horas de ténis diretamente de Cascais para o mundo inteiro. Mesmo assim, as pessoas puderam acompanhar o evento em casa. Este ano, estamos a sentir toda a emoção de voltar a ter mais de 40 mil pessoas a viver o evento ao vivo.

Apelidou este cut-off como o melhor de sempre do Estoril Open. Como é que se desencadeia todo este processo?

Ter cá estes tenistas é um trabalho de meses em que temos de desenvolver várias reuniões com os agentes dos jogadores. O contacto nunca é efetuado diretamente com os tenistas já que eles têm um agenciamento. Estive meses em negociações para tentar ter um quadro o mais interessante possível. Vamos ter dois tenistas do top 10 do ranking ATP (o canadiano Felix Auger-Aliassime e o britânico Cameron Norrie) e depois temos vários jogadores do top 20 (Diego Schwartzman e Pablo Carreño-Busta), vários tenistas do top 30 mundial como o Francis Tiafoe e o Alejandro Davidovich Fokina (que ganhou a Novak Djokovic no Masters 1.000 de Monte Carlo). Vamos ter jogadores de todas as idades, nacionalidades e estilos de jogo para agradar a gregos e a troianos. Teremos aqui tenistas que deverão estar no top 10 nos próximos anos.

O português João Sousa, que ganhou o Estoril Open em 2018, vai estar neste torneio num ano em que o público regressa ao Clube de Ténis do Estoril. Que expectativas existem para que se repita esse triunfo?

É sempre um sonho ter um português a ganhar em casa mas diria que aquilo que o João fez em 2018 é muito difícil… provavelmente é irrepetível. A pressão é enorme só pelo facto de jogar em casa, o nível de cada encontro é sempre altíssimo e a probabilidade de se repetir o triunfo é muito baixa. Em 2018 teve que salvar match points em jogos decisivos… em trinta anos aconteceu uma vez… adorava que houvesse uma segunda mas é um enorme desafio.

E que desafios foram colocados este ano pelos patrocinadores?

É importante desde logo agradecer à nossa família de patrocinadores que tem estado connosco em todos os momentos e tivemos momentos maus e péssimos ultimamente. Mesmo em 2020 quando não houve evento e tivemos prejuízos muito avultados, tivemos patrocinadores ao nosso lado a garantir todo o apoio. Em 2021, tivemos os sponsors ao nosso lado apesar de muitas marcas não terem gostado do facto de não termos público. Temos marcas novas este ano que dão muito prestígio ao projeto e que nos colocam um selo de qualidade. Todos estes sponsors têm graus de exigência muito elevados.

Vivemos um contexto mundial difícil. Como é que se tem refletido na organização do Estoril Open?

Temos tido alguns constrangimentos como os atrasos brutais na chegada de materiais, temos alguma dificuldade em receber alguns bens que estão retidos pelos motivos que se conhecem; os custos das matérias primas que disparou autenticamente: o custo da gasolina, de alguns materiais que temos aqui. Foi algo que afetou muito o orçamento que neste momento ronda os quatro milhões de euros. Está a ser um ano extremamente desafiante. Só para alimentar os geradores tínhamos uma conta de vinte e tal mil euros e já sei que essa conta irá duplicar. Temos mais de vinte carros a circular durante os dias do torneio… o desafio é muito grande. Depois da pandemia, nunca imaginámos que pudéssemos ter uma guerra que está a afetar todos os custos.

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