O regresso

Passado o período de férias para a grande maioria dos portugueses, chegou o momento de regressar ao trabalho e voltar a enfrentar as realidades de um Portugal em vias de recuperação. Findo o período do resgate da troika, embora sob o requisito de manter e até aprofundar as medidas de austeridade para manter o rumo […]

Passado o período de férias para a grande maioria dos portugueses, chegou o momento de regressar ao trabalho e voltar a enfrentar as realidades de um Portugal em vias de recuperação.

Findo o período do resgate da troika, embora sob o requisito de manter e até aprofundar as medidas de austeridade para manter o rumo pretendido, Portugal parecia caminhar para uma relativa acalmia e estabilidade perante indicadores de retoma. No entanto, a dimensão da onda de choque provocada pelos recentes acontecimentos no Banco Espírito Santo ainda está longe de ser totalmente conhecida e temo que, apesar do prometido pelo Governo, o Estado terá invariavelmente que intervir financeiramente num Banco com uma enorme influência na economia nacional. E quem diz o Estado, diz os portugueses.

Existem indicadores negativos e positivos para o nosso País neste regresso de férias.

Dados recentes do Banco de Portugal revelam que, em Junho passado, globalmente, o crédito de cobrança duvidosa nos particulares se situava nos 4,15% após ter atingido o máximo histórico de 4,17% no mês anterior. De referir igualmente que, no primeiro semestre deste ano, as situações de incumprimento aumentaram 21% nomeadamente no crédito ao consumo e à habitação. Uma das mais graves situações que afecta directamente o dia-a-dia dos portugueses e relativamente à qual seria ideal encontrar novas medidas de resolução.

Relativamente ao indicador de clima económico, as opiniões divergem: de acordo com o I.N.E. este indicador recuperou em Julho para máximos desde 2008 enquanto que, para a Comissão Europeia, Portugal terá ao contrário recuado dois pontos em Agosto, após cinco meses a subir. Prefiro acreditar nos números do I.N.E., mas o valor apresentado pela Comissão Europeia parece-me mais de acordo com a tendência europeia.

O último boletim estatístico do Banco de Portugal revelou igualmente que as exportações caíram e o défice comercial se agravou no primeiro semestre de 2014. Estou certo que, apesar de tudo, iremos novamente conseguir inverter esta tendência.

Por outro lado, dados recentes indicam que a taxa de desemprego em Portugal baixou de 16,3% em Julho de 2013 para 14% em Julho deste ano, valor que não era atingindo desde Novembro de 2011, tendo Portugal sido inclusive um dos cinco países da União Europeia a registar a maior descida desta taxa em Julho. Números animadores, menores certamente em Agosto devido ao emprego sazonal, que podem revelar um pendor bastante positivo.

Não sendo propriamente um indicador, antes um plano de apoio, o programa 2014-2020 prevê para Portugal, através da Política de Coesão da União Europeia, um financiamento global para apoio à competitividade,empreendedorismo e inovação nacionais, na ordem dos 21,46 mil milhões de euros. Muitos milhões que, caso sejam bem aplicados, podem ser determinantes para o futuro de Portugal.

Entre números que nos fazem fazem ter esperança e outros que nos deixarão mais cabisbaixos, uma coisa é certa: neste regresso as realidades nacionais, o futuro só depende de nós, de cada um de nós.

João Costa Reis

 

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