Joe Biden vai discutir eleições “livres” e “transparentes” com Bolsonaro (com áudio)

Washington tem manifestado abertamente preocupação com as tentativas de Bolsonaro, que procura um novo mandato, de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral no Brasil.

epa09657995 US President Joe Biden participates in the White House COVID-19 Response Team’s virtual meeting with the National Governors Association to discuss the Covid-19 situation in the United States, in the Eisenhower Executive Office Building on the White House complex in Washington, DC, USA, 27 December 2021. EPA/MICHAEL REYNOLDS

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tenciona abordar a questão das eleições “livres e transparentes” no Brasil durante a reunião bilateral com o homólogo brasileiro, Jair Bolsonaro, que tem lançado dúvidas infundamentadas sobre o processo eleitoral.

“Espera-se que o Presidente aborde o tema de eleições abertas, livres, justas, transparentes e democráticas”, disse o conselheiro diplomático do Presidente norte-americano, Jake Sullivan, a bordo do Air Force One.

Washington tem manifestado abertamente preocupação com as tentativas de Bolsonaro, que procura um novo mandato, de lançar dúvidas sobre o sistema eleitoral no Brasil.

O palco do primeiro encontro entre Biden e Bolsonaro será a IX Cimeira das Américas arrancou na segunda-feira na cidade norte-americana de Los Angeles.

Nos últimos meses, e de forma cada vez mais frequente, além de insistir que o sistema de votação eletrónica do país não é fiável, Bolsonaro tem intensificado os ataques a magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) e tem dito que não respeitará determinadas decisões judiciais.

Em especial, o presidente brasileiro tem visado os juízes Alexandre de Morais e Edson Fachin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na segunda-feira, o Presidente brasileiro teceu ataques duros ao TSE, direcionados ao seu presidente, Edson Fachin, acusando-o de conspirar para facilitar a vitória de Lula da Silva nas eleições presidenciais de outubro.

Bolsonaro acusou Fachin de tudo fazer para descredibilizar o processo eleitoral e “para eleger o Lula de forma não aceitável”.

“São três ministros que não querem transparência nas eleições. Eu não ataco a democracia”, denunciou Bolsonaro, acrescentando que pelo que se vê nas ruas, “é impossível não ter segundo turno ou eu não ganhar no primeiro turno”.

Em entrevista à Lusa no final do mês de maio, o constitucionalista Diego Werneck Arguelhes, signatário da carta enviada à ONU sobre a “campanha sem precedentes” contra os tribunais brasileiros, avisou que o Presidente brasileiro está a criar bases para ‘uma invasão do Capitólio’, como aconteceu nos Estados Unidos.

“Jair Bolsonaro está fazendo isso em câmara lenta, o que a gente está a ver no Brasil é um 06 de janeiro, a invasão do Capitólio em câmara lenta”, contou à Lusa o professor associado do Instituto de Ensino e Pesquisa do Brasil e doutorado em Direito pela Yale University, nos Estados Unidos.

De acordo com as últimas sondagens, Lula da Silva aumentou a diferença para Jair Bolsonaro. O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) tem 48% das intenções de voto e Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), tem 27%.

Para vencer à primeira volta é necessário mais de 50% dos votos.

Recomendadas

Bruxelas prepara plano de emergência para precaver corte total de gás russo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou hoje perante o Parlamento Europeu que o seu executivo vai apresentar este mês um plano de emergência europeu para precaver um eventual corte total de fornecimento de gás russo.

“Sarrabulhada” governativa na ementa do Congresso do PSD. Ouça o podcast “Maquiavel para Principiantes” de Rui Calafate

“Maquiavel para Principiantes”, o podcast semanal do JE da autoria do especialista em comunicação e cronista do “Jornal Económico”, Rui Calafate, pode ser ouvido em plataformas multimédia como Apple Podcasts e Spotify.

Boris Jonhson nomeia novos ministros para as Finanças e Saúde depois de demissões (com áudio)

Os ministros de saída demitiram-se na terça-feira alegando perda de confiança no primeiro-ministro britânico.
Comentários