Jornalistas da Lusa escolhem Gouveia e Melo e Merkel como personalidades do ano

O vice-almirante Gouveia e Melo, coordenador do processo de vacinação contra a covid-19, e Angela Merkel, chanceler alemã nos últimos 16 anos, são as personalidades do ano escolhidas pelos jornalistas da Lusa.

Mário Cruz/Lusa

Na votação, efetuada pelos jornalistas da agência, a resposta à covid-19 em Portugal e a retirada dos EUA do Afeganistão e o regresso dos talibãs ao poder foram os acontecimentos.

Na Lusofonia, o acontecimento do ano foi a resposta internacional ao terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique, que teve 44 votos, e como personalidade escolhida foi a escritora moçambicana Paulina Chizane.

Na escolha das figuras e acontecimentos de 2021, participaram 74 jornalistas da Lusa, e Gouveia e Melo, que esteve no centro das atenções durante meses e coordenou a ‘task force’ da vacinação, recebeu 68 votos, registando-se 46 votos na resposta à covid-19, no final de um ano em que o país esteve ‘fechado’, a vacinação atingiu um valor recorde de 85% e pôs à prova o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

O vice-almirante ficou muito à frente das duas outras personalidades, Carlos Moedas, o ex-comissário europeu que ganhou a câmara de Lisboa à frente de uma coligação de direita, e Pablo Pichardo, o atleta de origem cubana que saltou para a medalha de ouro no triplo salto, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, com dois votos cada.

Já no acontecimento do ano nacional, depois da resposta à covid, com 46 votos, em segundo lugar ficou, com 34 votos, a crise política, com o chumbo do Orçamento do Estado, e fim da “geringonça”, e o ano judicial, com uma multiplicação de casos, como a pronuncia de José Sócrates no processo Marquês, ou ainda o êxito da vacinação da população portuguesa, com dois votos cada.

Para acontecimento do ano, a retirada norte-americana do Afeganistão e o regresso dos talibãs ao poder teve 38 votos, à frente da vacinação no mundo, 23 votos, e do assalto ao Capitólio, protagonizado por apoiantes do ex-presidente Donald Trump, numa tentativa de impedir a posse de Joe Biden, 12 votos.

Com 41 votos, Angela Merkel, chanceler alemã durante 16 anos, de 2005 a 2021, foi escolhida como personalidade do ano internacional, muito à frente de Alexei Navalny, ativista anticorrupção e opositor “número um” de Presidente Vladimir Putin, na Rússia, e Joe Biden, presidente eleito e sucessor de Donald Trump, na Casa Branca, ambos com 16 votos.

Paulina Chizane, a escritora que venceu o Prémio Camões 2021, símbolo na luta pela emancipação da mulher em Moçambique, foi a escolhida, com 52 votos, pelos jornalistas da agência como personalidade da Lusofonia.

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, alvo de um processo judicial movido pela maioria dos deputados, com acusações de prevaricação, crime contra a humanidade, charlatanismo, teve 15 votos, enquanto José Maria Neves, eleito presidente de Cabo Verde, contra o candidato apoiado pelo partido do Governo, recolheu seis votos.

A resposta internacional ao terrorismo em Cabo Delgado, Moçambique, alvo de vários ataques ‘jihadistas’ que causaram milhares de mortos e dezenas de milhares de deslocados, desde 2017, foi o acontecimento da Lusofonia mais importante para 44 jornalistas da Lusa.

Outros acontecimentos sujeitos a votação foram o processo judicial contra Jair Bolsonaro (21 votos) e a covid e o “bloqueio” de Macau, que tem imposto restrições à entrada de pessoas devido à pandemia (quatro votos).

A Lusa divulga hoje textos sobre os acontecimentos e figuras de 2021, resultado das escolhas dos jornalistas da agência.

Recomendadas

Banco Popular da China pede aos bancos para suportarem a moeda chinesa nos mercados internacionais

A China pediu aos seus bancos que se preparem para socorrer o yuan, face à crescente agitação provocada pela valorização do dólar face ao yuan, face ao euro e face à libra, avança o El Economista.

Alemanha não vai seguir “política fiscal expansionista” do Reino Unido

O Governo alemão anunciou um fundo de 200 mil milhões de euros destinado a proteger consumidores e empresas do aumento dos preços do gás impulsionado pela guerra na Ucrânia.

Líbano. Crise política não abranda: Parlamento não consegue eleger presidente

Beirute não tem um governo em funcionamento desde maio e o atual primeiro-ministro, Najib Mikati, não tem legitimidade suficiente. Acentuando a crise política – paralela à económica – não foi possível ao Parlamento eleger o presidente do país.
Comentários