José Junqueiro: “Costa não tem autoridade política”

José Junqueiro foi apoiante de Seguro. Está agora com Assis, contra a solução encontrada por António Costa para ultrapassar a derrota eleitoral das legislativas de 4 de outubro. Junqueiro garante que António Costa nunca falou aos órgãos do Partido Socialista sobre uma possível coligação com o PCP ou o BE. Começo por lhe fazer a […]


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José Junqueiro foi apoiante de Seguro. Está agora com Assis, contra a solução encontrada por António Costa para ultrapassar a derrota eleitoral das legislativas de 4 de outubro. Junqueiro garante que António Costa nunca falou aos órgãos do Partido Socialista sobre uma possível coligação com o PCP ou o BE.

Começo por lhe fazer a mesma pergunta que já dirigi ao seu camarada Eurico Brilhante Dias. O que acha que disse o povo com o resultado das eleições de 4 outubro?

Disse que renovava a confiança na direita, mas sem uma maioria absoluta, porque usou e abusou mal daquela que tinha tido e, portanto, disse à PàF que deveria governar em diálogo com o Parlamento. Relativamente ao Partido Socialista (PS) ficou claro que deveria ser oposição e liderar a oposição no quadro parlamentar.

A intenção de António Costa querer governar foi uma surpresa para si?

Foi uma surpresa, a fórmula foi uma surpresa. Sobretudo a de uma coligação com o Partido Comunista Português (PCP), o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Ecologista os Verdes (PEV). E foi uma surpresa porque, tendo perdido as eleições, esperava que liderasse a oposição no Parlamento com os entendimentos à esquerda que decidisse fazer e com a oportunidade de fazer aprovar todas as medidas que são estruturantes do programa eleitoral do PS. Ficaria assim demonstrado que o PS não é muleta da direita nem ficaria dependente das circunstâncias dos partidos mais radicais à esquerda.

Mas o acordo à esquerda não foi discutido no partido?

Não. O que se sabe é pelos jornais, é que existirá um acordo para o Bloco e, eventualmente haverá outro para o Partido Comunista, mas nunca se sentaram os três à mesma mesa, porque amigos, amigos, negociações à parte. E isso não é um grande sinal.

Em termos de quê?

Isso revela que o PCP e o BE querem preservar os respetivos eleitorados e que, sendo uma coligação de incidência parlamentar, não se corresponsabilizarão com o PS nas medidas que venham a ser assumidas, nomeadamente nas mais indispensáveis que tenham de ser assumidas e possam não ser populares.

Costa nunca falou mesmo no acordo?

O secretário-geral, em outubro, deveria ter convocado a Comissão Nacional, que é o órgão máximo entre congressos, imediatamente a seguir à derrota das legislativas. Era esse o local e o contexto onde tudo deveria ter sido discutido.

Mas não o fez.

Não o fez nem promoveu qualquer discussão interna nas federações e nas estruturas do PS. E em dois pontos essenciais. Um sobre o porquê do PS ter perdido as eleições e outro sobre qual o caminho para o futuro. Se tinha a intenção de se coligar ao PCP e ao BE deveria ter falado disso no PS. E foi sugerido por várias pessoas que deveria convocar a Comissão Nacional e até que se fizesse um refendo interno no PS para se saber se havia abertura a uma situação deste género.

Concorda que o PS vá para o governo em coligação com o PCP e o BE?

A minha posição de início é a mesma e decorre do que entendo que deveria ter sido feito, aquilo que o eleitorado disse. Estar em diálogo com todas as forças parlamentares, o PS autónomo, mais livre e mais forte, e um PS que demonstrasse que não era muleta da direita, nem dependente da esquerda mais radical. Penso assim porque tenho a minha convicção, não só de que este foi o sentimento do eleitorado, mas porque penso que, no espaço de dois anos, o PS poderia ser governo novamente.

Não acredita que o Governo da PàF possa chegar ao fim da legislatura?

Não acredito que faça a legislatura. Porque nunca dialogou. Enquanto teve maioria absoluta, usou e abusou dessa maioria absoluta. Não está habituado ao diálogo e era crível que a oposição construtiva do PS, com as propostas que faria aprovar, levaria a um reforço da credibilidade do PS e da confiança por parte do eleitorado.

António Costa tem legitimidade política perante os portugueses e os militantes socialistas para avançar com este acordo?

Não tem. Não tem autoridade política, nem legitimidade moral, não só porque perdeu as eleições, mas porque não levou essa solução à discussão dos militantes e aos órgãos próprios do Partido Socialista.

Costa deve ir rapidamente a votos em congresso?

Segundo os estatutos, depois das eleições, há um tempo que dará origem ao congresso e que, naturalmente, deverá acontecer a seguir às eleições presidenciais. O que discutimos neste momento não é a alteração na liderança do PS, mas sim a melhor proposta para a afirmação do PS. E a que melhor sirva o País.

Mas no congresso deverá haver disputa pela liderança?

Estamos concentrados numa solução de estabilidade e que dê uma solução às pessoas. Estamos, neste momento, a dar o nosso contributo para uma solução diferente da do nosso secretário-geral e para que esta solução seja debatida no PS e, sobretudo, para que não existam cheques em branco. Relembro que não há acordo conhecido até este momento.

Assis parece estar a posicionar-se para se candidatar. Vai apoiá-lo?

Neste momento, a preocupação do Assis é de criar uma linha de pensamento distinta daquela que foi a opção do secretário-geral. E o esforço dele vai no sentido de influenciar uma outra solução que não aquela que, neste momento, o secretário-geral resume a uma aliança com o PCP e o BE.

Em termos do futuro do partido, há perigo para o PS num acordo destes?

Se esse acordo à esquerda vier a concretizar-se sem se traduzir numa ação governativa com êxito, é evidente que o PS sairá muito prejudicado com esta estratégia. E, por outro lado, se essa estratégia não obrigar o PCP e o Bloco a integrarem o governo, o clima político será de disputa permanente dos respetivos eleitorados. Aqui chegados, para simplificar, não acredito que Jerónimo de Sousa e Catarina Martins tivessem elegido, como objetivo maior das suas forças políticas, dissolverem-se no PS.

Então também acredita que um governo à esquerda não dura dois anos?

Se existir um acordo credível, se todos os partidos envolvidos se sentarem à mesma mesa e ao mesmo tempo e se esses partidos integrarem um governo, então sim, é possível pensar numa solução para quatro anos.

Tem sido difícil sentarem-se os três…

Como referi, para mim é estranho, mas pode ser que o problema seja apenas meu, mas acho estranho que se tenha de fazer um acordo com um partido, outro com outro e que passado um mês das eleições não se tenham ainda conseguido sentar os três à mesma mesa e dizerem o que querem para o País.

Do que já se sabe do acordo, aumentos de salários e pensões, descida do IVA, é possível manter as regras do Tratado Orçamental?

Sobre essa matéria, nem eu nem ninguém consegue emitir opinião, por desconhecimento total daquilo que vier a ser acordado, de um texto final ou de dois textos finais. Portanto, não vale a pena falar de fazer futurologia, porque ninguém conhece nada de coisa nenhuma.

Com o Bloco o acordo parece ter sido fácil. O que se poderá estar a passar com o PCP?

Desconheço o acordo. Do eventual acordo estabelecido pelo Bloco, apenas sei o que ouço das declarações de Catarina Martins, que estranho muito. E relativamente ao Partido Comunista, não tenho nada que me permita pronunciar, a não ser sobre aquilo que o Jerónimo de Sousa tem vindo a dizer em público.

Jerónimo de Sousa já deixou claro que não respeita o Tratado Orçamental.

O secretário-geral do PS já referiu que o acordo deverá respeitar todos os compromissos de Portugal, portanto tudo deve ser feito no sentido de diminuir o défice e cumprir os tratados. Se um partido não se quiser comprometer com estas responsabilidades, creio não haver condições para fazer qualquer acordo.

Por Carlos Caldeira/OJE

Nota: título original do artigo no jornal impresso de 6 de novembro de 2015: “Costa não tem autoridade política porque não levou essa solução à discussão dos militantes”

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