Josep Borrell pressiona Israel sobre os palestinianos

O primeiro-ministro israelita Yair Lapid e o chefe de política externa da União desentenderam da reunião do Conselho da União Europeia-Israel, em Bruxelas. Pontos de vista diferentes sobre a Palestina e sobre o Irão ficaram bem evidentes.

O primeiro-ministro israelita Yair Lapid disse no início do encontro com a União Europeia, esta segunda-feira em Bruxelas, que “Estamos todos unidos no nosso desejo de impedir o Irão de obter armas nucleares” e destacou o apoio israelita e da União à integridade territorial da Ucrânia. Mas o chefe da diplomacia dos 27 preferiu seguir outro rumo e destacou as políticas de Israel em relação aos palestinianos.

“Vamos discutir franca e abertamente algumas questões específicas que são de nossa preocupação mútua”, disse Borrell. “Estou a falar sobre a situação nos territórios palestinianos e a paz no Oriente Médio, processo que está parado”.

O diplomata e economista espanhol acrescentou que os europeus estão preocupados com “a continuação da violência e das tensões no terreno, e a continuação de medidas unilaterais, como a expansão dos colunatos”.

Segundo as agências internacionais, nomeadamente a AFP, Israel fez circular um documento que chegou antecipadamente à União Europeia que enfatizava o estatuto de Israel como um Estado democrático judaico com Jerusalém como capital indivisível. Mas a União não reconhece, tal como a esmagadora maioria dos países, a capital israelita em Jerusalém.

Nas suas observações, Lapid enfatizou o apoio israelita à Autoridade Palestiniana e a uma solução de dois Estados. “Estamos a trabalhar com eles e a ajudar a economia a desenvolver-se”, disse, antes de acrescentar que “os palestinianos precisam de acabar com o terrorismo”. O primeiro-ministro terá por certo muitas dificuldades em provar o apoio de Israel à solução dos dois Estados – dado que nunca o mundo conheceu no terreno ações que o possam provar.

“Israel quer a paz que levará à segurança, não a paz que desestabilizará o Oriente Médio”, continuou Lapid. E convidou a União a fazer parte do Fórum Negev, o quadro de cooperação regional lançado neste verão em Sde Boker.

“Queremos a retoma de um processo político que possa levar a uma solução de dois Estados e uma paz regional abrangente”, disse Borrell, que reconheceu que os dois lados discordam sobre os esforços mediados pela União para o regresso do acordo nuclear de 2015 com o Irão.

De acordo com um comunicado divulgado na tarde de segunda-feira pelo Gabinete do primeiro-ministro israelita, os objetivos específicos da reunião incluíam o acesso a fundos da União para empresas israelitas; a assinatura de um contrato de cobertura de rede para reduzir o custo do roaming; e a celebração de um acordo de exportação para produtos orgânicos israelitas.

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