Jovens e pobres serão os mais penalizados pelas subidas dos juros

Segundo o Banco de Portugal, o impacto de um aumento de 1 ponto percentual é negativo em todos os escalões de remuneratórios, mas é mais pronunciado nas famílias com rendimento mais baixo.

As famílias que pediram empréstimos taxas variáveis vão ser as mais penalizadas por subidas nas taxas de juro, segundo as contas do Banco de Portugal. Apesar de ser expectável que o Banco Central Europeu (BCE) faça aumentos (dos atuais mínimos históricos) apenas em 2019, os rendimentos destes agregados familiares poderão cair 2%.

Na simulação de uma subida de 1 ponto percentuais na taxa de juro de mercado de curto prazo, o impacto médio nos rendimentos familiares é de 0,7% “O efeito é negativo para todos os quartis de rendimento, sendo menos acentuado nos dois quartis inferiores, onde apenas uma pequena percentagem de famílias tem dívida com taxa variável”, explica no Boletim Estatístico publicado esta sexta-feira.

No entanto, ao olhar apenas para os empréstimos com taxas variáveis, o impacto é maior. “Quando se consideram apenas as famílias que têm dívida com taxa variável, o efeito agregado é de -2%. O impacto continua a ser negativo em todos os quartis de rendimento mas é mais pronunciado nas famílias com rendimento mais baixo, refletindo em parte o elevado valor médio da dívida face ao dos depósitos”, refere.

Nas várias idades, os mais velhos são menos penalizados já que o efeito no rendimento é positivo nas classes etárias em que o indivíduo de referência tem mais de 65 anos, mas é negativo naquelas em que tem menos de 55 anos.

“Nestas últimas existe uma percentagem bastante mais elevada de famílias endividadas do que nas restantes e os montantes da dívida são também superiores. Considerando apenas as famílias que têm dívida com taxa variável, a subida da taxa de juro tem um efeito negativo no rendimento em todas as classes etárias, exceto naquela em que o indivíduo de referência tem mais de 75 anos”, nota o BdP.

Por outro lado, os mais jovens são os que vão sofrer mais, segundo o exercício de simulação.

“O efeito no rendimento é negativo para as famílias que têm dívida com taxa variável, sobretudo as mais jovens e as dos quartis mais baixos do rendimento”, acrescenta. “Em qualquer caso, o efeito no consumo agregado deverá ser atenuado pelo facto de nas classes de menor rendimento, onde a propensão a consumir é mais elevada, a percentagem de famílias afetadas pelo aumento dos juros dos empréstimos ser reduzida”.

Recomendadas

Apoios às famílias: “Vamos até onde podemos ir”, diz Medina

O ministro das Finanças é ouvido esta quarta-feira pelos deputados da Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República. Fernando Medina fala nesta comissão uma semana depois de ter sido apresentado o pacote de medidas de apoio às famílias e a menos de um mês do prazo de entrega da proposta de Orçamento do Estado para 2023 (OE2023).

Medina: “Estado não vai arrecadar mais do que aquilo que está a devolver”

O ministro das Finanças afasta um cenário de “brilharete orçamental” por via das receitas da inflação. Fernando Medina rejeita que bónus das pensões represente uma perda no futuro e pede “reflexão” sobre a fórmula de cálculo das mesmas que, diz, “não foi criada para períodos de inflação extraordinária”.

Cinco países da UE avançam para resolver bloqueio em tributação mínima de empresas

França, Espanha, Itália, Alemanha e Holanda propuseram hoje avançar com cooperação reforçada para resolver o bloqueio da Hungria à aplicação, na União Europeia (UE), da tributação mínima de 15% sobre os lucros das empresas de maior dimensão.
Comentários