PremiumJuan Guaidó: O eterno interino da Venezuela

Depois de uma fase em que tudo parecia indicar que o regime estava prestes a implodir, Nicolás Maduro acabou por aguentar-se no poder. Ao contrário, a oposição perdeu força e as iniciativas do seu líder foram saindo da agenda mais mediática. O referendo convocado pela oposição para este fim de semana servirá para os seus apoiantes perceberem qual é a força interna do presidente interino.

O povo venezuelano foi chamado a votar no fim de semana passado e será este fim de semana novamente chamado às urnas. É difícil deixar de concluir que de ambas as vezes o povo venezuelano está pura e simplesmente a perder tempo. As eleições para uma nova assembleia nacional estavam à partida votadas ao fracasso, depois de a oposição ter decretado um boicote a uma auscultação que o regime tentou transformar num ato democrático. A falta de comparência da oposição – que tinha a maioria naquele órgão de poder – torna evidente que aquele órgão tem muito pouco ou nenhum poder. E que as eleições eram uma forma de embelezar o ambiente em torno de Nicolás Maduro.

No final, pouco mais de 30% dos eleitores (ou 18%, segundo o Observatório Contra a Fraude) se deram ao trabalho de sair de casa – onde o vírus da Covid-19 ronda perigosamente – para votarem maioritariamente nas listas do regime, que conseguiu agregar 68% dos votos. Contas feitas, os números indicam o seguinte: os 68% dos 30% que votaram em Nicolás Maduro são cerca de 3,5 milhões dos 16,7 milhões de eleitores venezuelanos. Em termos de representação, o regime de Caracas pouco tem a dizer em sua defesa.

O debate segue agora para 12 de dezembro, este sábado, dia em que a oposição organizou um referendo onde pergunta à população se concorda com os resultados das eleições do fim de semana passado.

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