Julius Baer com queda de 26% nos lucros no primeiro semestre. Não descarta aquisições

O Julius Baer Group informou o mercado que o lucro líquido atribuível aos acionistas diminuiu 26%, para 451 milhões de francos (457,6 milhões de euros), o que fez baixar os lucros por ação em 24% para 2,15 francos suíços. CEO anuncia que está no mercado para fazer aquisições.

Julius Bär verwaltet mehr als 400 Milliarden Franken an Kundenvermögen. (Archivbild)

A turbulência do mercado atinge os resultados do primeiro semestre do banco suíço especialista em gestão de fortunas, o Julius Baer.

O Julius Baer Group informou o mercado que o lucro líquido atribuível aos acionistas diminuiu 26%, para 451 milhões de francos (457,6 milhões de euros), o que fez baixar os lucros por ação em 24% para 2,15 francos suíços, de acordo com as regras IFRS, disse o banco numa declaração esta segunda-feira, citada pelo suíço Finews.

Apesar dos lucros mais baixos durante o primeiro semestre do ano, o banco garante que conseguiu um desempenho resiliente durante o período.

Os custos operacionais subiram 5,8% no primeiro semestre, impulsionados por provisões e perdas resultantes de um caso de litígio antigo. Mas os custos com pessoal diminuíram cerca de 1% à medida que a instituição reduziu os bónus [da gestão] para reflectirem um desempenho empresarial mais fraco.

No primeiro semestre de 2022, os activos sob gestão (AuM) diminuíram 54 mil milhões de francos suíços (54,8 mil milhões de euros) caindo 11% para 428 mil milhões. Este decréscimo foi impulsionado pelas correcções significativas nos mercados mundiais de ações e obrigações, num dos piores semestres dos mercados de capitais em décadas, de acordo com o banco.

O património médio sob gestão foi de 458,3 mil milhões de francos (465 mil milhões de euros) durante os primeiros seis meses do ano. Comparativamente, situavam-se em 459,8 mil milhões de francos suíços durante o primeiro semestre de 2021 e 482,6 mil milhões de francos suíços no final do ano passado, de acordo com o banco.

No final de Junho de 2022, aproximadamente 1,6% dos ativos sob gestão do Julius Baer estavam relacionadas com clientes russos sem direito a residência no Espaço Económico Europeu nem na Suíça, segundo o banco.

“Olhamos para um período histórico de seis meses de acontecimentos geopolíticos sem precedentes que tiveram um impacto profundo na avaliação dos activos e no sentimento dos clientes, disse o CEO Philipp Rickenbacher citado pela mesma publicação.

O CEO acrescentou que o banco continua “concentrado em alcançar os objectivos traçados para o ciclo estratégico que termina em 2022, acelerando a disciplina de custos em todo o Grupo, duplicando os esforços para criar valor para os clientes e criando oportunidades para contratar talentos de front-office. Como tal, estamos já a estabelecer os pré-requisitos para cumprir os compromissos de crescimento a longo prazo delineados na nossa actualização estratégica no início deste ano”.

O banco relata, segundo a Finews, olhando em detalhe para os novos fluxos financeiros líquidos Julius Baer disse que durante os primeiros quatro meses do ano, as saídas foram de 2,7 mil milhões de francos suíços, impulsionadas principalmente pela desalavancagem de clientes domiciliados na Ásia. Durante o período de Maio a Junho, no entanto, os fluxos foram positivos, com 1,5 mil milhões de francos suíços a entrarem no banco principalmente vindos da Europa Ocidental e do Médio Oriente, à medida que o ritmo de desalavancagem diminuiu.

O banco destacou que os clientes domiciliados na Europa Ocidental, especialmente na Alemanha, Luxemburgo e Reino Unido, continuaram a contribuir significativamente para os influxos ao longo do período, enquanto que os novos clientes líquidos domiciliados no Médio Oriente se tornaram positivos após Abril.

O Julius Baer disse ainda que houve uma “recuperação significativa” em dinheiro novo líquido de 1,5 mil milhões de francos suíços desde o final de Abril, o que limitou as saídas líquidas totais no primeiro semestre a 1,1 mil milhões de francos suíços.

No início de Março, o Julius Baer lançou um novo programa de 12 meses de recompra de ações até 400 milhões de francos suíços. No final de Junho, um total de 2.522.072 ações tinham sido recompradas a um custo agregado de 122 milhões de francos de suíços.

O Julius Baer Group considera que o pior período do mercado de capitais pode já ter acabado após uma primeira metade que foi uma das mais difíceis em décadas para o banco suíço gestor de fortunas.

O grupo garantiu ainda ter iniciado a liquidação da sua filial vocacionada para o aconselhamento na gestão de patrimónios em Moscovo, em conformidade com os regulamentos locais e acordos contratuais. O valor patrimonial líquido desta entidade em 30 de Junho de 2022 era de 1,2 milhões de francos suíços.

Julius Baer CEO pronto para mais aquisições

Segundo a Reuters, o Julius Baer diz estar pronto para fazer mais aquisições e espera aumentar essa atividade à medida que a turbulência do mercado vai eliminando empresas do setor da gestão de patrimónios, disse o presidente-executivo Philipp Rickenbacher nesta segunda-feira.

“A consolidação baseada em fusões e aquisições é claramente uma possibilidade”, disse Rickenbacher a jornalistas (citado pela Reuters) depois de o banco suíço ter divulgado os seus lucros do primeiro semestre.

“O atual ambiente de mercado certamente trará alguns dos ventos favoráveis que a indústria teve nos últimos anos, e eu espero que os próximos trimestres, se não anos, sejam mais favoráveis às oportunidades de M&A. Estaremos prontos para isso”, referiu o CEO.

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