Junta de Myanmar condena decisão da ASEAN de incluir oposição no processo de paz

A junta militar no poder em Myanmar (antiga Birmânia) condenou hoje a decisão da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), de que o país faz parte, de envolver a oposição no processo de paz.

“Myanmar opõe-se veementemente e condena as tentativas dos Estados-membros da ASEAN de lidar com estas organizações ilegais e terroristas”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros da junta num comunicado citado pela agência francesa AFP.

Na cimeira, que começou hoje em Phnom Penh, os líderes da ASEAN concordaram em envolver grupos da oposição no processo de paz de Myanmar, que até agora tem sido ineficaz face à escalada da violência.

O diálogo deve ser conduzido pelo enviado especial da ASEAN para Myanmar de uma forma “flexível e informal”, segundo uma declaração divulgada no primeiro de três dias de trabalhos na capital do Camboja.

A decisão abre o caminho para conversações com o Governo de Unidade Nacional (NUG, na sigla em inglês), um “executivo sombra” dominado por antigos deputados do partido de Aung San Suu Kyi, a líder deposta no golpe militar de 01 de fevereiro de 2021.

Muitos dos elementos do NUG, que reúne a oposição política à junta militar, estão no exílio e Aung San Suu Kyi está na prisão.

O NUG não controla qualquer território de Myanmar e os militares no poder classificaram-no como uma organização terrorista.

O chefe da junta birmanesa, general Min Aung Hlaing, não se deslocou a Phnom Penh para a cimeira da ASEAN, devido à proibição, decretada pelos seus pares, de Myanmar enviar delegações políticas de líderes do bloco regional.

A sanção prende-se com as dificuldades colocadas pela junta militar para negociar uma saída para o conflito no país desde o golpe de Estado.

Uma fação liderada pelo Presidente indonésio, Joko Widodo, cujo país assume a presidência rotativa da ASEAN depois do Camboja, pressionou para que a exclusão política fosse alargada a outras reuniões setoriais, como pediram grupos de defesa dos direitos humanos.

A Tailândia, apoiada pelo Camboja e pelo Laos, opôs-se à proposta indonésia, argumentando que a extensão da proibição de representação equivaleria a uma suspensão de facto, disse à agência norte-americana AP um diplomata sob a condição de não ser identificado.

Os líderes asiáticos rejeitaram a ideia de uma suspensão total de Myanmar, reafirmando que o país “continua a ser parte integrante da ASEAN”, segundo o comunicado.

Concordaram também em continuar a trabalhar para a implementação do plano de paz de cinco pontos, que inclui o fim da violência, o diálogo e a mediação de um enviado espacial do bloco regional.

A ASEAN, fundada em 1967, integra atualmente Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia e Vietname.

A cimeira de Phnom Penh decorre até domingo.

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