Lagarde diz que recessão não é suficiente para baixar inflação, mas BCE não é espelho da Fed

O Banco Central Europeu enfrenta uma pressão política dos Governos da zona euro para reter os aumentos das taxas de juro, mas em Riga Christine Lagarde voltou a ter um discurso agressivo esta manhã, sinalizando que o BCE vai continuar a subir os juros mesmo que a economia entre em recessão. 

O Banco Central Europeu enfrenta uma pressão política dos Governos da zona euro para reter os aumentos das taxas de juro, mas hoje a presidente do BCE, Christine Lagarde, voltou a ter um discurso agressivo, sinalizando que o banco central vai continuar a subir os juros mesmo que a economia entre em recessão.

A presidente do BCE  disse mesmo que “não acreditamos que essa recessão seja capaz de domar a inflação” na zona euro.

O facto de as quedas do PIB não serem suficientes para abrandar a inflação, indica que o banco central com sede em Frankfurt, está totalmente focado na estabilidade de preços. “Temos de continuar a cumprir o nosso mandato e encontrar a taxa de juro que vai garantir a descida da taxa de inflação até à meta dos 2%”, disse a presidente do BCE durante uma conferência organizada pelo banco central da Letónia citada pela notícia da “Bloomberg”.

Este discurso surge uma semana depois da segunda subida consecutiva de 75 pontos base do BCE nos custos dos empréstimos, e à medida que os receios aumentam de que a crise energética irá arrastar a produção na zona euro de 19 nações.

No mesmo fórum, um membro do Conselho Executivo do BCE, Fabio Panetta, entretanto, alertou para os riscos económicos de subida rápida das taxas.

Os dados de crescimento e a inflação sugerem que as taxas de juro ainda podem ter alguma margem para subir, nomeadamente porque a Fed acaba de subir os juros em 75 pontos base para 4%, o que vai desvalorizar o euro face ao dólar e como tal inflacionar a aquisição pela Europa de bens transacionados em dólares, nomeadamente o petróleo.

O que se passa no BCE não é apenas o facto de as taxas de juros terem duplicado para 1,5% no mês passado no ciclo de aperto monetário mais agressivo da história do BCE, mas o facto de ainda estar longe das subidas das taxas de juros nos EUA.

Sobre isso, Lagarde, segundo uma notícia da “Reuters”, disse que o Banco Central Europeu deve estar atento às decisões de política da Federal Reserve dos Estados Unidos, que influenciam os mercados globais, mas não podem apenas ser o espelho dos seus movimentos. Christine Lagarde, nesta quinta-feira, depois da subida de juros da Fed disse que “temos que estar atentos a possíveis repercussões”, numa conferência em Riga. Mas, acrescentou, “não somos iguais e não podemos progredir no mesmo ritmo (ou) sob o mesmo diagnóstico das nossas economias”.

Centeno apoia subida de juros do BCE
Hoje, em entrevista ao “Público”, o Governador do Banco de Portugal saiu em defesa da estratégia de subida de juros do Banco Central Europeu, argumentando que manter as taxas de inflação elevadas “teria um custo recessivo maior do que aquele que o aumento das taxas de juro provoca”. Em entrevista ao “Público”, Mário Centeno pede ainda às empresas e aos países do euro que ajudem no combate à inflação, que “não é um exclusivo dos bancos centrais”.

Ao defender a estratégia do BCE para conter a inflação, o Governador do Banco de Portugal, passou de ser uma “pomba” dentro do BCE, como até aqui, para passar a apoiar a estratégia dos ‘falcões’ que defendem uma política monetária do BCE mais agressiva, isto é, aumentos de juros mais rápidos, para travar a inflação.

Manter taxas de inflação elevadas “teria um custo recessivo maior do que aquele que o aumento das taxas de juro provoca”.

Centeno disse mesmo ao jornal que “temos visto uma subida de preços na generalidade dos bens e serviços do índice de preços no consumidor e, em muitos casos, para além daquilo que se poderia esperar face ao que são as pressões inflacionistas vindas da oferta. O que isto quer dizer é que, tal como apelamos a uma contenção do nível salarial, também gostaria de o fazer ao nível empresarial, para que se refletisse nos preços um grau de conservadorismo que permitisse de facto a inversão deste ciclo de inflação“.

O Governador do banco central nacional falhou recentemente na sua estimativa de que a inflação em Portugal teria atingido o seu pico no terceiro trimestre. Em outubro, a inflação superou os 10% e a inflação subjacente, isto é, sem energia e produtos alimentares não transformados, fixou-se em 7,1%.

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