Lançar um produto sem vergonha na cara (e sem gastar um cêntimo)

Se as paredes das incubadoras, co-workings e aceleradores falassem, todas elas entoariam em uníssono: produto, produto e mais produto.

É acrescentar aquela linha de código aqui, mexer o call-to-action da homepage 3 milímetros para a esquerda, ou acrescentar aquela última feature, mesmo brutal, que apesar da pouca utilidade prática vai fazer toda a diferença. E assim que tudo estiver terminado e satisfizer todos os requisitos de perfeição, nasce o produto (e gaba-se a startup do filho pródigo).

Então e quando o produto é lançado de pára-quedas na multidão dispersa? Quem compra? É que os clientes e utilizadores não aparecem como as formigas à procura do açúcar, se não souberem que o açucar existe e que precisam dele hoje mais do que nunca. Um produto não se vende por si só.

Pela Beta-i já passaram mais de 500 startups, e há dois erros bastante comuns:

1) Demoram demasiado tempo a lançar o produto;
2) Não pensam, estrategicamente, em como lançá-lo e divulgá-lo.

Na prática, depois de lançar um produto, não chega ficar sentado à frente do computador e fazer refresh no google analytics para ver quando acontece o milagre da multiplicação de visualizações. É preciso pensar na estratégia de lançamento e inovar na divulgação do produto da mesma forma que se inovou no desenvolvimento tecnológico.

No entanto, esta é uma enorme dificuldade para as startups numa fase inicial que acham que o que pega é por moedas no ‘parquímetro’ do Google ou Facebook. Mas na verdade, antes de por moedas onde quer que seja, é preciso ver o que se faz com o pouco que se tem.

Por exemplo, a Airbnb, no seu início, permitiu aos proprietários publicar o seu anúncio simultaneamente na Airbnb e no Craig’s List, fazendo com que os anúncios alcançassem uma audiência consideravelmente maior. A Zomato, como o seu VP of Growth Gil Belford lembrou no Tourism Day da Beta-i, utilizou o método mais eficaz para crescer entre startups, fez parcerias, neste caso com festivais gastronómicos. O Buffer alavancou uma estratégia de conteúdos através do seu blog para partilhar as melhores práticas nas redes sociais. E como estes há milhares de exemplos, mesmo em Portugal, como é o caso da Zaask que começou um blog para dar dicas aos seus utilizadores ou como a Uniplaces que fez inicialmente parcerias com universidades.
Por isso, é consideravelmente melhor um produto feito, mas não perfeito, e que esteja pensado para atrair mais utilizadores, organicamente. É definir uma data de lançamento, construir uma audiência, dando contexto ao produto, e lançar sem vergonha na cara.

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