“Layoff não é adequado à situação presente”. Governo lança programa de formação dos trabalhadores

Vem aí um novo programa de formação dos trabalhadores. É a alternativa adotada pelo Governo ao layoff. Segundo o secretário de Estado da Economia, a formação será dada nas horas que fiquem vazias face à flutuação dos preços da energia.

O Governo anunciou esta quinta-feira um novo programa de formação ativa dos trabalhadores, num momento em que as empresas estão em dificuldades face à escalada dos preços (da energia, mas não só). Aos jornalistas, o ministro da Economia, António Costa Silva, explicou que o layoff, ferramenta tão popular durante a pandemia, “não é adequado à situação presente”, daí a criação deste novo programa, que custará cerca de 100 milhões de euros.

“Sabemos que durante a pandemia o Governo lançou o layoff simplificado, mas consideramos que não é adequado à situação presente. O layoff foi a resposta que se encontrou quando existia um colapso da procura mundial”, começou por explicar o ministro.

“Aqui vamos ter um programa de formação, no contexto da produção, no local de trabalho para manter a atividade das empresas”, revelou, indicando que esta medida, que faz parte do pacote “Energia para avançar”, custará 100 milhões de euros.

Segundo o secretário de Estado da Economia, João Neves, este programa pretende “responder os desafios específicos de formação das empresas, num contexto em que o planeamento da produção é afetado pelas alterações de preço das fontes energéticas ao longo dia”.

Ou seja, a formação será dada nas horas vazias no planeamento. “Esta medida aproveita as horas vazias para encontrar formas de melhorar as competências dos trabalhadores”, sublinhou o responsável.

Já o secretário de Estado do Trabalho, Miguel Fontes, revelou que o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) está a desenhar um programa para desempregados se requalificarem com vista a combater a escassez de mão de obra. Esta medida custará 20 milhões de euros.

No pacote apresentado esta tarde, está incluída também uma linha de financiamento e comparticipações para o setor social de 120 milhões de euros. Estas verbas servirão para ajudar as IPSS a fazerem face às suas necessidades.

No total, o pacote “Energia para avançar” custará 1,4 mil milhões de euros, adiantou ainda Costa Silva.

Notícia atualizada às 16h17

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