Legionella já matou três pessoas. Há 96 infetados conhecidos. Saiba como prevenir

O hospital de Vila Franca de Xira já registou 96 casos de doentes infetados com legionella, tendo registado mais duas mortes hoje, que se somam a outra ocorrida no sábado, segundo uma nota de imprensa. “Até às 12h00 de hoje, foram registados 96 casos diagnosticados com a infeção por ‘legionella’ no Hospital de Vila Franca […]

O hospital de Vila Franca de Xira já registou 96 casos de doentes infetados com legionella, tendo registado mais duas mortes hoje, que se somam a outra ocorrida no sábado, segundo uma nota de imprensa.

“Até às 12h00 de hoje, foram registados 96 casos diagnosticados com a infeção por ‘legionella’ no Hospital de Vila Franca de Xira”, lê-se no documento, que explica que “desde o último ponto de situação, registaram-se dois óbitos, um homem de 66 anos de idade, e uma mulher de 81 anos, ambos com história clínica de patologia diversa e grave”.

No ponto de situação enviado à Lusa às 13h30, afirma-se que “encontram-se, de momento, 59 doentes internados” e acrescenta-se que “foram igualmente transferidos para unidades centrais um total de 32 doentes”.

A  bactéria legionella manifesta-se por tosse , febre alta, pontadas torácicas e em alguns casos também por dores musculares.

A doença

Segundo o guia prático da doença dos legionários (pneumonia provocada por bactérias do género Legionella), publicado na Direcção-Geral de Saúde, a pneumonia constitui a manifestação clínica mais expressiva da infecção. Surge habitualmente de forma aguda e pode, nos casos mais graves, conduzir à morte.

A bactéria do género Legionella, para além de se encontrar nos ambientes aquáticos naturais (como lagos e rios), também pode colonizar os sistemas artificiais de abastecimento de água, nomeadamente as redes de grandes edifícios como os empreendimentos turísticos, sempre que encontre condições favoráveis à sua multiplicação.

Dos fatores que favorecem a colonização das redes prediais dos grandes edifícios há a destacar a temperatura da água (condições óptimas de multiplicação bacteriana entre 20 e 43ºC) e o pH (que pode oscilar entre 2 e 8.5).

Investigações laboratoriais demonstram que o agente da infeção se encontra preferencialmente na água quente sanitária, nos sistemas de ar condicionado (como nas torres de arrefecimento, nos condensadores de evaporação e nos humidificadores), nos aparelhos de aerossóis ou nas fontes decorativas.

A bactéria tem sido isolada nas rede de abastecimento de água, onde, aliás, pode sobreviver longos meses. Os pontos de maior disseminação de aerossóis são as torneiras de água quente e fria e os chuveiros.

A infeção transmite-se por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água (aerossóis) contaminadas com bactérias, sendo importante referir que não se transmite de pessoa a pessoa, nem pela ingestão de água contaminada.

Em regra, cinco ou seis dias depois de um indivíduo inalar bactérias (presentes nas gotículas de água) poderão surgir as primeiras manifestações clínicas. É o chamado período de incubação que, no entanto, pode variar entre dois e dez dias.

A doença afecta preferencialmente pessoas adultas com mais de 50 anos de idade (duas a três vezes mais homens do que mulheres), sendo raríssima em indivíduos abaixo dos vinte anos.

Atinge em especial fumadores. São igualmente factores de risco, doenças crónicas debilitantes (alcoolismo, diabetes, cancro, insuficiência renal) ou ainda doenças com compromisso da imunidade ou que imponham medicação com corticoides ou quimioterapia.

Não se dispõe de vacina contra a doença dos legionários.

Em Portugal a doença dos legionários foi pela primeira vez descrita em 1979. Desde Janeiro de 1995 até 31 de Dezembro de 2000, foram identificados 63 novos casos cuja doença foi associada a viagens e alojamento em unidades hoteleiras portuguesas

Onde está a bactéria

Em regra, os sistemas e equipamentos associados à presença e multiplicação bacteriana que assumem particular relevância são os seguintes: sistemas de abastecimento de água; redes prediais de água quente e fria; sistemas de ar condicionado; torres de arrefecimento; evaporadores/condensadores; humidificadores; zonas de água estagnada; lavagem de automóveis e sistemas de lavagem de gases etc; piscinas e jacuzis, etc.

Porém, pela frequência com que são implicados, aqueles que representam maiores preocupações são as torres de arrefecimento, os sistemas de água quente e fria e os sistemas de ar condicionado, pode ler-se no guia.

Carlos Caldeira com Lusa

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