Líbano convida EUA a mediar fronteira marítima com Israel

Autoridades libanesas concordam em convidar um conselheiro de energia norte-americano, tal como era também pretendido por Israel. Não é a primeira vez que os países, que não mantêm relações diplomáticas se encontram por causa do Mediterrâneo.

Alguma coisa parece estar a mudar no Líbano, depois de o Hezbollah e os seus partidos ‘irmãos’, como o Amas, terem perdido a maioria nas eleições de maio passado: as autoridades do país vão pedir aos Estados Unidos que conduzam a mediação das negociações indiretas sobre a fronteira marítima com Israel.

O presidente Michel Aoun e o primeiro-ministro interino Najib Mikati encontraram-se esta semana e concordaram em convidar o conselheiro e mediador de energia dos Estados Unidos Amos Hochstein para ir a Beirute, a capital, para mediar a questão. Os diferendos entre o Líbano e Israel a propósito das fronteiras marítimas é uma questão antiga que não pode ser resolvida senão no quadro mais geral de um improvável entendimento entre os dois países.

Más, há cerca de dois anos, houve negociações que pareciam conseguir chegar a um acordo. Isso acabou por não acontecer, mas, segundo as agências internacionais, o Líbano quer voltar ao tema. Não será por acaso: a riqueza do Mediterrâneo Oriental tem vindo a ser cobiçada pelos seus donos – nomeadamente Israel e a Turquia – e se o Líbano conseguir ‘intrometer-se’ na exploração dos hidrocarbonetos pode ter aí uma porta de saída para a profunda crise económica em que se encontra há anos. Um membro do parlamento libanês e conselheiro do presidente, Elias Bou Saab, terá falado já com Hochstein.

Entre outras questões, Israel afirma que é detentor do chamado campo de Karish, mas o Líbano afirma que parte do campo está dentro do seu território marítimo. As rondas de negociações começaram em outubro de 2020 na sede das forças de paz da ONU no sul do Líbano, mas pararam poucas semanas depois.

Também o Ministério da Defesa israelita disse que o diferendo será resolvida por meio de mediação norte-americana. Recorde-se que Líbano e Israel não têm relações diplomáticas e são oficialmente inimigos, o que complica tudo.

Desde 2020 que Hochstein recorreu separadamente à diplomacia em Beirute e em Telavive na tentativa de quebrar o impasse, mas sem sucesso. Oficialmente, Israel diz que as reivindicações do Líbano estão muito longe da realidade. Ao mesmo tempo, os libaneses acusaram Israel de fomentar a política do ‘fato consumado’.

Segundo a Al Jazeera, em 2011, o Líbano emitiu o Decreto 6433 às Nações Unidas sobre as suas reivindicações no Mar Mediterrâneo, que não contempla com o campo Karish. Mas estudos conduzidos pelo Gabinete Hidrográfico do Reino Unido e mais tarde pelo exército libanês indicam que o país pode reivindicar mais 1.430 Km2, que já estão no perímetro do campo.

Em abril de 2021, o então primeiro-ministro interino Hasan Diab aprovou um projeto de lei para alterar o Decreto 6433 que expandiria as reivindicações do Líbano, mas o presidente Michel Aoun ainda não assinou o documento.

Entretanto, 13 deputados independentes, uma espécie de novo grupo parlamentar saído das últimas eleições, pediram ao governo e ao presidente que entregassem o Decreto 6433 alterado às Nações Unidas, enviassem uma carta de advertência à Energean, a empresa britânica que detém a exploração da zona, e apresentassem uma queixa contra Israel ao Conselho de Segurança da ONU.

 

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