Líder do PCP diz que Marcelo tem cumprido “obrigações constitucionais” num “estilo próprio”

“Há quem caracterize [o mandato] como de sucessivos favores ao Governo e até de estar com o Governo nas mãos”, atira o comunista Paulo Raimundo.

O secretário-geral do PCP defendeu que o Presidente da República tem procurado “cumprir as obrigações constitucionais”, “num estilo próprio, e para os que acham que tem “o Governo nas mãos”, avisa que poderá fazer “dele o que entender”.

Em entrevista à rádio TSF e ao Jornal de Notícias, hoje divulgada, o novo secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirma que Marcelo Rebelo de Sousa “tem procurado exercer o seu mandato dentro dos objetivos e equilíbrios que considera serem úteis”, ressalvando as muitas divergências políticas e ideológicas que separam os comunistas do chefe de Estado.

“Há quem caracterize [o mandato] como de sucessivos favores ao Governo e até de estar com o Governo nas mãos. Quem tem um Governo nas mãos fará dele o que entender em cada um dos momentos”, alertou.

No entanto, questionado se o PCP tem esse entendimento, Paulo Raimundo respondeu negativamente: “Não, não, há quem caracterize assim”.

“Independentemente das divergências que temos, eu acho que o Presidente da República tem procurado cumprir as obrigações constitucionais que lhe estão consagradas, num estilo muito próprio, que às vezes até pode criar embaraços”, acrescentou, recusando que tal seja um elogio, mas um facto que “há um funcionamento regular que é obrigatório para as instituições”.

Na mesma entrevista, Paulo Raimundo, que sucedeu a Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP há uma semana, assegura ainda que o partido não irá “alimentar a polémica” à volta dos sucessivos casos do Governo, que considera criarem “um lamaçal que é um profundo descrédito da vida política e do regime democrático” que não costuma “dar bons resultados”.

“Também não nos vamos inibir de dizer o que achamos sobre esta matéria, mas vemos com muita preocupação os casos acontecerem, mas também esta descredibilidade total das instituições. Esta ideia de que são todos iguais e andam cá todos para se abotoar é muito perigosa”, afirmou, defendendo que os problemas devem ser “rapidamente investigados, se for caso disso julgados e retiradas as devidas consequências”.

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