Liderança narcisista – O paradoxo

Afinal ser narcisista é bom ou mau?


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Já sabemos que, quando atribuímos a designação de líder a alguém, não é por uma pessoa ter determinadas características, mas sim por esta mesma pessoa ter uma certa influência nos seus seguidores. Também já se sabe que um líder poderá ser/estar líder num determinado contexto e com uma determinada equipa e não o ser/estar noutro contexto ou com outra equipa.

Entretanto, o que gostava de explorar neste artigo é um estudo publicado pela revista Fortune que envolveu 392 CEO durante a atual crise financeira mundial. O estudo revelou que empresas em que os líderes tinham características narcisistas, egocêntricas e ainda excesso de confiança tiveram uma pior performance no início da crise. No entanto, estes mesmos líderes foram os responsáveis por estas mesmas empresas obterem uma melhor performance no durante e no pós crise. Curioso, não é?

Pode-se explicar estes últimos resultados positivos porque os lideres narcisistas são propensos para a ação e pouco adversos ao risco. Neste sentido, têm um maior sentido de urgência e atuam de imediato, até porque tem consciência de que, se a sua organização continuar com maus resultados, isso afetará a sua reputação.

Curioso é que já Freud estudava a influência do narcisismo na liderança. Este mesmo médico neurologista e criador da Psicanálise estudou esta temática numa investigação intitulada de “Group psychology and the analysis of the ego”, na qual aprofundou a relação entre os líderes e os liderados. No contexto desta investigação, Freud afirmou que os lideres não necessitam do amor dos outros porque eles amam-se a si próprios, o que faz deles pessoas seguras de si e independentes.

Afinal ser narcisista é bom ou mau?

Como em quase tudo na vida, é no equilíbrio que está a virtude. Todos nós necessitamos de uma certa dose de amor próprio para sermos equilibrados e eficazes no que fazemos. Como ficou provado, uma certa dose de narcisismo pode ser positiva e até influenciar positivamente as organizações em que estamos ou que até lideramos. No entanto, doses excessivas de narcisismo serão castradoras do desenvolvimento organizacional e contribuirão para um ambiente organizacional toxico e patológico.

Alexandre Real
Partner da SFORI e membro do Movimento Pessoas@2020

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