Liquidar dívidas ou poupar para a reforma? O que fazer com o subsídio de Natal

Num ano em que os portugueses enfrentam novos desafios económicos e financeiros devido à pandemia da Covid-19, o subsídio de Natal surge como uma forma de dar uma folga extra ao orçamento familiar. Saiba como gerir, poupar ou investir nesta época natalícia.

O subsídio de Natal serve para ‘dar’ uma folga extra ao orçamento de cada família, e este ano, face aos desafios económicos motivados pela pandemia da Covid-19, antecipa-se que muitas recorram a este dinheiro suplementar para aliviar as despesas nesta época festiva. E mesmo estando em layoff, esse cheque deve ser atribuído.

No entanto, também pode servir para fazer bons investimentos ou liquidar despesas anuais, tais como o seguro automóvel ou até o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), por exemplo. Se já recebeu ou está prestes a receber, a plataforma ComparaJá apresenta-lhe um conjunto de investimentos nos quais pode aplicar o dinheiro do subsídio.

Primeiro, deve saber calcular este subsídio:
Segundo consta no nº 1 do artigo 263º do Código do Trabalho, “o trabalhador tem direito a subsídio de Natal de valor igual a um mês de retribuição, que deve ser pago até 15 de Dezembro de cada ano” e o cálculo do valor a receber é feito com base no tempo de serviço que foi prestado no ano civil.

Esta retribuição pode ser paga de duas formas: “Em duodécimos, ou seja, o trabalhador vai recebendo uma parte deste valor todos os meses, ao longo do ano, juntamente com o seu salário ou integral, em que o trabalhador recebe o montante total de uma vez só.”

Se a forma de pagamento for na íntegra, o trabalhador deve receber este rendimento até ao dia 15 de dezembro (caso seja trabalhador do setor privado) ou durante o mês de novembro (no caso de trabalhadores do setor público) e o montante recebido, neste caso, será igual ao do seu vencimento. Se, por exemplo, aufere mensalmente um ordenado líquido de 1.600 euros, então em dezembro receberá o dobro: 3.200 (1.600 + 1.600).

Já se o subsídio de Natal for recebido em duodécimos, tal significa que se dividirá o rendimento líquido do trabalhador por 12 meses e este receberá o extra correspondente, todos os meses, juntamente com o seu salário.

Porém, no setor privado, se o subsídio de Natal não for na totalidade, o que normalmente acontece é o pagamento de 50% em duodécimos e os restantes 50% em novembro. Exemplificando: se o vencimento líquido for de 1.350 euros, então significa que ao longo do ano terá de receber 675 euros divididos por 12 meses (56,25 euros mensalmente para além do vencimento) e outros 675 euros juntamente com o salário do mês de novembro.

Layoff e subsídio de Natal: qual o apoio da Segurança Social?

Caso a sua entidade empregadora tenha avançado para layoff, saiba que tem direito a receber o subsídio de natal, concedendo a Segurança Social apoios nesse sentido.

De acordo com as informações disponíveis na SS online, para as empresas que estejam em Layoff do Código do Trabalho ou em Layoff Simplificado no mês de dezembro, o pagamento da comparticipação no subsídio de Natal é feito oficiosamente

No caso das empresas em situação de apoio à retoma progressiva, o pagamento desta comparticipação é feito desde que a data de pagamento do subsídio de Natal coincida com o período de aplicação do apoio referido

Quais são as suas opções?
Ao encarar o montante do subsídio de Natal como uma oportunidade de investimento, pode começar a poupar ou até aventurar-se em produtos financeiros mais complexos, tais como depósitos a prazo, planos poupança-reforma ou mesmo ações ou obrigações (mas lembre-se que estes últimos têm um risco mais elevado). Como tal, o ComparaJá recomenda:

Liquidar dívidas: “Este rendimento extra pode até ser utilizado, em último caso, para amortizar dívidas de um crédito pessoal ou de um cartão de crédito, de forma a não entrar numa espiral de endividamento.”
Reforçar o fundo de emergência: “Ditam as boas regras das finanças pessoais que deve possuir um fundo de emergência composto por um montante correspondente a, pelo menos, seis meses de despesas fixas ou três meses de rendimento.”
Depósitos a prazo: “Os depósitos a prazo são a forma de poupança preferida dos portugueses, uma vez que têm poucos riscos associados.”
Poupar para a reforma: “Apesar dos PPR (Planos Poupança Reforma) serem produtos que a maior parte dos portugueses conhece, nos últimos anos perderam alguns dos benefícios fiscais associados, o que os tornaram menos apetecíveis.”
Amortizar crédito: “No caso de ter um spread muito baixo, amortizar um crédito à habitação pode não ser a melhor solução. Mas se tiver um empréstimo com taxa variável e a Euribor subir, pode acontecer que amortizar o crédito seja uma hipótese a considerar.”

Recomendadas

Respostas Rápidas: como deve investir a pensar na reforma?

Com uma estrutura demográfica cada vez mais envelhecida, as dúvidas em torno da sustentabilidade da Segurança Social no médio-prazo reforçam o papel da poupança privada no rendimento dos portugueses em reforma, pelo que importa compreender os vários instrumentos financeiros ao seu dispor.

Respostas rápidas: é assim que pode ir para a reforma antes dos 66 anos e sete meses

Não tem 66 anos e sete meses, mas quer ir para a reforma? Há vários regimes que permitem a antecipação da pensão de velhice. O Jornal Económico explica, com base num guia do ComparaJá.

Respostas Rápidas: como pode aceder ao complemento solidário para idosos ou outras pensões?

A propósito do Dia Internacional do Idoso e dado o envelhecimento cada vez maior da sociedade portuguesa, importa compreender como podem os contribuintes aceder a vários apoios disponibilizados pela Segurança Social.
Comentários