Lisboa não precisa de mudar para pior!

Nos anos mais recentes, Lisboa tem vindo a transfigurar-se numa espécie de laboratório contínuo de um certo experimentalismo urbanístico que contribui para a degradação da qualidade de vida da cidade e exibe aos seus habitantes a pior face da política: aquela que confunde movimento com dinamismo. Alguns pensam que se mantiverem a capital transformada num […]


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Nos anos mais recentes, Lisboa tem vindo a transfigurar-se numa espécie de laboratório contínuo de um certo experimentalismo urbanístico que contribui para a degradação da qualidade de vida da cidade e exibe aos seus habitantes a pior face da política: aquela que confunde movimento com dinamismo.

Alguns pensam que se mantiverem a capital transformada num estaleiro vitalício conseguirão vender a ilusão de que são edificadores de obra destinada a colher o aplauso das gerações futuras. Quando afinal só conseguem perpetuar uma sensação de caos generalizado.

Mal tinha sido encerrado um novo (mas não último, sou capaz de apostar) capítulo do tapa-destapa na Ribeira das Naus, com a substituição da estridente estrutura de madeira que ali tinha sido instalada um ano antes, vem agora o presidente da Câmara anunciar a intenção de “requalificar” o eixo central de Lisboa, entre as Picoas e o Saldanha, prometendo obras que se manterão ali pelo menos durante um ano
mais (enquanto na Praça do Areeiro, degradada e maltratada como nunca, se eternizam os taipais de
obras que há muito deviam estar concluídas).

Fernando Medina, vogando segundo os ares do tempo, pretende a todo o custo semear os espaços adjacentes às avenidas da República e Fontes Pereira de Melo de “zonas pedonais” e estender a rede de ciclovias em eixos viários que deviam destinar-se ao descongestionamento do trânsito, nomeadamente
dos transportes públicos de superfície, facilitando o quotidiano de quem vive e trabalha na cidade.
Infelizmente não é isso que vai acontecer.

O autarca parece mais vocacionado para satisfazer as excentricidades de alguns dos seus apoiantes, inimigos declarados do automóvel, do que em solucionar os sérios problemas de mobilidade que persistem em estrangular a cidade.

Ninguém nega a importância das obras periódicas de requalificação de Lisboa. Mas Medina não precisa
de inventar nada: bastar-lhe-ia dar continuidade àquilo que de bom foi executado na capital por gestões
autárquicas anteriores.

Haveria toda a vantagem, por exemplo, em conferir prioridade absoluta ao prolongamento do túnel do Marquês de Pombal, estendendo-o até ao Saldanha, como de resto constava do plano inicial da obra, que tão contestada foi por alguns que hoje tanto se servem dela.

Para complicar o trânsito, bem basta o labirinto em que o seu antecessor imediato, António Costa,
transformou a outrora rotunda do Marquês, exemplo claro do que não devia acontecer: em vez de se
conservar o que está bem, muda-se para pior. Os lisboetas não merecem isto.

Mauro Xavier
Gestor

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