Lítio: decisão final sobre refinaria só em 2023. Portugal pode importar minério da Austrália, Brasil e Canadá

O lítio que vier a ser produzido em Portugal pode não ser suficiente para abastecer a refinaria que vai refinar este minério que vai ser usado no fabrico de baterias para carros elétricos. A localização ainda não é conhecida.

Cristina Bernardo

A Galp e os suecos da Northvolt anunciaram hoje o projeto ‘Aurora’: uma refinaria de lítio no valor de 700 milhões de euros localizada em Portugal que poderá entrar em operação em 2026.

“Estamos comprometidos agora em gastar dezenas de milhões de euros em trabalho de engenharia. Só vamos tomar a decisão final de investimento quando avaliarmos os contratos de fornecimento e o financiamento. Podemos então avaliar tudo isso, em conjunto com o custo do projeto, então será tomada uma decisão, no segundo semestre de 2023”, segundo Andy Brown.

A Northvolt é uma empresa sueca de fabrica de baterias para carros elétricos e vai ficar com 50% do lítio que for refinado nesta central. As duas empresas detém partes iguais (50% cada) deste projeto.

Esta central vai ter uma capacidade de produção anual de até 35 mil toneladas de hidróxido de lítio, usado na produção de baterias de ião de lítio para carros elétricos. A refinaria deverá entrar em produção em 2026, com a previsão de criação de 1.500 postos de trabalho diretos e indiretos.  A infraestrutura vai ter a capacidade para produzir hidróxido de lítio suficiente para a produção de 50 GWh de baterias por ano, suficiente para equipar 700 mil veículos elétricos.

As duas empresas dizem que ainda não têm fechada a localização da refinaria. “Vamos avaliar todas as localizações, a pegada de carbono de cada localização vai ser um parâmetro importante na avaliação”, disse hoje Andy Brown quando questionado se faria mais sentido instalar a refinaria de lítio em Matosinhos, no local da antiga refinaria da Galp, pois as jazidas de lítio em Portugal estão localizadas principalmente no norte do país.

Por sua vez, o Governo apontou que faria mais sentido instalar uma refinaria no norte de Portugal. “Parece fazer mais sentido a norte do que a sul, uma vez que apesar de também este projeto ter que importar lítio para poder funcionar em pleno, naturalmente que a norte parece mais bem localizada do que a sul, e quanto mais no interior do país, melhor. Mas essa é uma questão a que os investidores saberão responder”, destacou João Pedro Matos Fernandes.

O ministro respondia a uma pergunta dos jornalistas sobre se faria mais sentido instalar a refinaria de lítio no concelho de Matosinhos (distrito do Porto), no local da antiga refinaria da Galp em Leça da Palmeira, ou na refinaria petrolífera de Sines, distrito de Setúbal.

Já o presidente executivo da Northvolt, Paolo Cerruti, apontou que o lítio que venha a ser produzido em Portugal não será suficiente para abastecer as  necessidades da refinaria. Neste sentido, apontou que poderá ser importado minério da Austrália, Brasil ou Canadá para preencher a procura.

“A mina da Savannah pode fornecer uma grande parte, mas não é uma boa prática ter apenas uma fonte. Vamos procurar fontes alternativas para garantir que existe o volume suficiente. A Savannah é uma das opções”, disse, por seu turno, o líder da Galp.

O ministro do Ambiente rejeitou hoje avançar com uma data para o lançamento do  PPP Lítio prevê a pesquisa em oito áreas abrangendo oito distritos, numa área total de três mil metros quadrados (km2), uma área superior ao distrito de Lisboa (2.761 km2) ou do Porto (2.395 km2) ou de Aveiro (2.808 km2). A Guarda é o distrito mais abrangido neste plano com três áreas, seguindo-se Castelo Branco e Viseu, ambos com duas áreas.

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