Lituânia afirma estar preparada se Rússia cortar a rede elétrica comum devido ao bloqueio a Kaliningrado

Trinta anos após a separação da União Soviética e 17 anos desde a adesão à UE, os estados bálticos ainda dependem da Rússia para fornecimento de energia estável, relembra a agência noticiosa.

A Lituânia afirma estar preparada se a Rússia a desconectar da rede elétrica regional em retaliação ao bloqueio do transporte de alguns produtos russos para o enclave de Kaliningrado, no Mar Báltico, que surgiu na sequência das sanções da União Europeia (UE). O presidente, Gitanas Naused, disse ainda à “Reuters” que não espera nenhum confronto militar.

“Estamos prontos e preparados para ações hostis da Rússia (em retaliação), como a desconexão do sistema BRELL (rede elétrica) ou outras”, afirmou esta quarta-feira. “Não acredito que a Rússia nos desafie no sentido militar, porque somos membros da NATO”.

Trinta anos após a separação da União Soviética e 17 anos desde a adesão à UE, os estados bálticos ainda dependem da Rússia para fornecimento de energia estável, relembra a agência noticiosa. Mas a Lituânia instalou equipamentos  para a Polónia no ano passado para se conectar rapidamente à rede europeia continental como uma apólice de seguro caso a Rússia corte o fluxo de eletricidade.

Um projeto de 1,6 mil milhões de euros financiado pela UE visa desconectar os estados bálticos da rede elétrica com a Rússia e a Bielorrússia em 2025 em favor do sistema de energia descentralizado da Europa continental.

Na terça-feira, a Rússia ameaçou respostas com graves consequências, e segundo o “El Mundo”, hoje avisou que caso o país decida continuar o bloqueio a produtos como materiais de construção, metal, madeira, cimento, fertilizantes, álcool e caviar, “a resposta não será diplomática, mas prática”, citando a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

Naused avança que vai abordar o impasse numa cúpula da NATO na próxima semana, quando vão avaliar se deve aumentar os níveis de tropas nos Estados-membros mais próximos da Rússia, como os países bálticos.

Ademais, garante que a Lituânia sentiu a solidariedade de outros países da UE no impasse e que expandirá a lista de mercadorias que impede de chegar a Kaliningrado, à medida que os períodos de implementação das sanções da UE forem alcançados.

“Sentimos o apoio da União Europeia, porque esta é uma decisão tomada no seu seio”, diz. “Estamos ansiosos para implementar as próximas etapas das sanções, e seria muito bom se a Comissão Europeia explicasse o seu conteúdo às autoridades russas. Isso poderia remover algumas das tensões atuais, que não são do interesse nem da União Europeia ou da Rússia”.

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