Livro: “A Espanha das Espanhas”

João Sousa Cardoso partilha com os seus leitores uma viagem que fez no verão de 2011, de autocarro, a partir do Porto. Sem os preconceitos ventosos e nupciais de outros tempos e provérbios.

 

“Dirigimo-nos à Catedral de Granada, entalada entre ruas e com a fachada voltada para um recatado largo, que acrescenta monumentalidade ao edifício. No interior, o santuário revela-se desigual, mas impressionado. Edificado entre os séculos XVI e XVIII, a arquitectura resulta dum encastelamento de estilos entre o barroco, o neoclássico e ressonâncias do gótico. Dois órgãos laterais, profusamente decorados, ostentam anjos trombeteiros. (…) Reparo na repetição de uma figurinha que canta enquanto duas personagens endiabradas, uma de cada lado, lhe sopram aos ouvidos tentações certamente indescritíveis.”

Felizmente, a maioria dos portugueses já consegue olhar para Espanha e para os espanhóis sem os preconceitos ventosos e nupciais de outros tempos e provérbios. Podem, assim, desfrutar das maravilhas da arquitetura e das delícias da gastronomia dos nossos vizinhos peninsulares. No caso deste “A Espanha das Espanhas”, João Sousa Cardoso partilha com os seus leitores uma viagem que fez no verão de 2011, de autocarro, a partir do Porto, com passagem por Zamora, Burgos, Bilbau, Saragoça, Valência, Córdova, Sevilha, Mérida, Madrid, Toledo e Salamanca; ou seja, de Norte a Sul, por diferentes geografias, usos e costumes.

Como complemento a este livro, editado pela portista Book Cover, recomenda-se a leitura dos dois volumes de Julio Llamazares em que o escritor descreve o seu percurso por Espanha e a sua História através das catedrais – “Rosas de piedra” e “Rosas del sur” (ambos inéditos em português) – e “Viagem de Autocarro”, de Josep Pla.

João Sousa Cardoso é doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Paris Descartes (Sorbonne). Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian entre 2006 e 2009. Encenou “Sequências Narrativas Completas”, estreado no Teatro Nacional D. Maria II, e “Os Pescadores”, de Raul Brandão, que teve estreia no Teatro Municipal do Porto em 2016.

Dirigiu o projeto TEATRO EXPANDIDO! no ano de reabertura do Teatro Municipal do Porto, entre janeiro dezembro de 2015, atravessando a dramaturgia do século XX, levando à cena 11 peças em 12 meses e mobilizando dezenas de atores, profissionais e amadores. Criou ainda os espetáculos “O Bobo” (2006), a partir de Alexandre Herculano, e “A Carbonária” (2008), “Raso como o Chão” (2012) e “Barulheira” (2015), a partir de Álvaro Lapa. Realizou os filmes “A Ronda da Noite” (2013), a partir de Heiner Müller, e “Baal” (2013), “A Santa Joana dos Matadouros” (2014) e “Na Selva das Cidades” (2016), a partir de Bertolt Brecht.

É professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e na Universidade Lusófona. Escreve regularmente para o jornal “Público”.

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