Lone Star reconhece “contributo significativo” de Ramalho e pede “transição suave” no Novobanco

António Ramalho mantém-se no cargo até agosto. Até lá, o maior acionista pede que o gestor ajude o banco a fazer uma transição suave.

A Lone Star, que detém 75% do Novobanco, reconhece o “contributo significativo” que António Ramalho deu ao colocar o Novobanco no caminho dos lucros. E pede que o gestor ajude a equipa ao contribuir para uma “transição suave”. O presidente executivo vai sair em agosto.

“A Lone Star reconhece o contributo significativo que António Ramalho deu para recuperar a marca Novobanco em Portugal e colocar o banco [num caminho de] rentabilidade sustentável”, refere fonte oficial do fundo norte-americano ao Jornal Económico.

A mesma fonte indica ainda que “esperamos que o António [Ramalho] contribua para o sucesso do banco nos próximos meses e garanta uma transição suave e ordeira no início de agosto de 2022”.

António Ramalho comunicou esta quinta-feira ao Conselho Geral de Supervisão (CGS) que vai sair do Novobanco. Em comunicado, o banqueiro diz que “acredita ser este o momento certo para anunciar o seu desejo de deixar o cargo que assumiu há cerca de seis anos”.

O CEO sai da instituição depois de apresentar as contas do primeiro semestre. O Conselho Geral e de Supervisão já está a procurar um sucessor e António Ramalho, que fica como consultor do órgão liderado por Byron Haynes, vai ser ouvido na escolha do novo CEO, apurou o Jornal Económico.

Byron Haynes, presidente do CGS, deixa no comunicado um agradecimento a António Ramalho pela “sua liderança ímpar, a sua dedicação e o seu contributo para garantir a viabilidade de longo-prazo do Novobanco. António Ramalho foi o rosto da liderança de um processo de transformação do banco, que incluiu a concretização de todos os compromissos definidos no Plano de Reestruturação”.

Por seu lado, António Ramalho sublinhou na mesma nota o “privilégio que constituiu a possibilidade de liderar uma vasta equipa num processo único e irrepetível, numa conjuntura adversa e em cujo sucesso poucos acreditavam, preservando um banco sistémico, milhares de postos de trabalho e um incontável número de empresas, e dessa forma o normal funcionamento da Economia Portuguesa”.

Relacionadas

Novobanco. António Ramalho diz que “sai no momento certo” e vai ser ouvido na escolha de novo CEO

O CEO do Novobanco sai da presidência executiva e apoia transição para o sucessor. O banqueiro diz em comunicado que “acredita ser este o momento certo para anunciar o seu desejo de deixar o cargo que assumiu há cerca de seis anos”. O CEO sai da instituição depois de apresentar as contas do primeiro semestre.

António Ramalho deixa liderança do Novobanco (com áudio)

A sua saída ocorre depois do caso da divulgação das escutas feitas numa investigação tributária envolvendo Luís Filipe Vieira. António Ramalho fica no cargo até à apresentação dos resultados do primeiro semestre.

Lone Star concluiu que atuação de António Ramalho na Operação ‘Cartão Vermelho’ não compromete a idoneidade

O Conselho Geral de Supervisão do Novobanco concluiu que o CEO António Ramalho “agiu com total integridade ao longo deste processo e não surgiram provas que comprometam sua idoneidade como CEO do Novobanco”.
Recomendadas

Oitante antecipa pagamento integral de empréstimo obrigacionista de 746 milhões. Estado poupa 110 milhões em juros

O reembolso antecipado da dívida da Oitante “faz cessar as responsabilidades do Fundo de Resolução e do Estado Português relativamente a essa dívida, permite importantes poupanças financeiras e faz perspetivar a recuperação de uma parte significativa dos 489 milhões de euros desembolsados pelo Fundo de Resolução, em 2015, no financiamento da resolução do Banif”, diz BdP.

Exposição a imobiliário comercial continua a ser proeminente nos bancos, diz DBRS

A divulgação das exposições a imobiliário comercial da banca permanece geralmente limitada na Europa, no entanto, “reconhecemos que, nos últimos anos, os reguladores e supervisores aumentaram o nível de escrutínio, harmonização e transparência”, diz a DBRS.

BCE quer evitar que bancos beneficiem da arbitragem de juros com o financiamento barato obtido na pandemia

Segundo o Financial Times, o BCE vai analisar como é que vai bloquear o acesso dos bancos a este financiamento que é subsidiado e que, segundo os analistas contactados pelo FT, poderá gerar lucros extraordinários de 24 mil milhões de euros para o sector.
Comentários