Lucros da Caixa aumentam 61% para 692 milhões de euros até setembro

O banco liderado por Paulo Macedo aumentou os lucros até setembro, face aos 429 milhões de euros registados no período homólogo, à boleia de uma redução das imparidades para a crise Covid e contributo da área internacional.

António Pedro Santos/Lusa

Os lucros da Caixa Geral de Depósitos (CGD) cresceram 61% para 692 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, em comparação com os 429 milhões de euros registados no mesmo período do ano passado. Isto à boleia de uma redução das imparidades para a crise Covid e contributo da área internacional no valor de 155 milhões de euros. O banco “projeta o maior dividendo da história da Caixa aos contribuintes”.

“A Caixa regista um resultado líquido de 692 milhões de euros com redução da imparidade, assente na evolução favorável da qualidade da carteira de crédito, e forte contributo da área internacional, perspetivando a distribuição do maior dividendo de sempre aos contribuinte”, indica o banco liderado por Paulo Macedo num comunicado divulgado na CMVM, esta quinta-feira. Já a rentabilidade dos capitais próprios (ROE) situou-se nos 10,8%.

Neste período, a margem financeira cresceu 25% para perto de 943 milhões de euros, com forte contributo da atividade internacional (+28%) e das operações de tesouraria (incluindo o programa TLTRO do BCE) e gestão da carteira que contribuíram com 60 milhões de euros”, refere.

De acordo com a Caixa, “em Portugal, os efeitos da subida das taxas de referência do BCE tem vindo a repercutir-se gradualmente na margem financeira do retalho (particulares e empresas), que aumenta nos primeiros 9 meses do ano cerca de 18 milhões de euros face a igual período 2021”.

Já as comissões registaram um aumento de 45,2 milhões de euros, ou seja, mais 12,9% em comparação com setembro de 2021, para 568 milhões de euros. A atividade internacional contribuiu com um crescimento de 9,2 milhões de euros.

O aumento em Portugal centrou-se nas comissões de vendas de produtos de investimento: colocação de fundos de investimento (+9,4 milhões de euros) e seguros (+6,6 milhões de euros), e das operações de crédito (+2,3 milhões de euros) que beneficiaram da evolução favorável da conjuntura económica.

Os custos de estrutura aumentaram 31 milhões de euros (+5%) face ao período homólogo de 2021, maioritariamente devido à atividade em Portugal. Na atividade doméstica, os custos subiram para 509,7 milhões de euros, com a rubrica de custos com o pessoal a pesar mais devido “ao ajustamento de provisões associadas a benefícios pós-emprego e dos custos com o programa de pré-reformas”.

Relativamente às provisões e imparidades, o banco afirma ter registado uma melhoria face ao período homólogo (-1,6 milhões de euros). A “evolução registada na carteira de crédito desde o fim das moratórias, no âmbito da pandemia, tem um impacto relevante no resultado, permitindo a reversão parcial de imparidades constituídas, nomeadamente nos anos de 2020 e 2021”, afirma a Caixa. O rácio de crédito malparado é de 2,6%.

A carteira de crédito a clientes aumentou 3,3% para 54,2 mil milhões de euros, em termos brutos. Em Portugal, registou um crescimento de 2,6% no caso das empresas, de 1,4% no crédito para a casa e de 10,6% no crédito ao consumo.

Por outro lado, os depósitos aumentaram 3,8% nos primeiros nove meses do ano na atividade doméstica, com o segmento dos particulares a crescer na mesma proporção.

Notícia atualizada às 16h52

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