Lucros da CGD sobem 80,5% para 146 milhões no primeiro trimestre

O banco liderado por Paulo Macedo tinha obtido um resultado positivo de 81 milhões de euros no mesmo período do ano passado, quando voltou a reforçar imparidades para crédito devido à crise pandémica.

Cristina Bernardo

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) obteve lucros de 146 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que compara com um resultado positivo de 81 milhões de euros obtido no mesmo período do ano passado.

“No primeiro trimestre de 2022, o Grupo Caixa Geral de Depósitos gerou um resultado líquido consolidado de 146 milhões de euros, (+80,5% face ao primeiro trimestre de 2021), equivalente a uma rentabilidade dos capitais próprios (ROE) de 7,2%”, pode ler-se no comunicado divulgado esta quinta-feira na CMVM.

De acordo com o banco estatal, esta melhoria “teve a influência positiva da atividade core do Grupo CGD, num período influenciado por um agravamento de custos de supervisão”. Excluindo o impacto de 26,4 milhões de euros
dos fatores não recorrentes, o resultado líquido no período seria de 119,2 milhões de euros.

A margem financeira aumentou 33,7 milhões de euros (+14,1%) face ao primeiro trimestre de 2021, tendo sido “impulsionada pelo desempenho das unidades em Moçambique e Angola, mas também pela atividade doméstica (+5,1%), com evidentes ganhos de produtividade comercial evidenciados pelo crescimento do crédito nos segmentos de empresas e particulares e, neste último, nas vertentes habitação e consumo”.

Nas comissões líquidas, o banco registou um aumento de 21 milhões de euros face ao período homólogo. “Este aumento foi sobretudo suportado pelas comissões associadas à colocação de fundos de investimento (+5,4 milhões de euros) e seguros financeiros (+3,9 milhões de euros) e ao aumento das transações com os diversos meios de pagamento, dada a progressiva reabertura da economia”, refere a CGD.

Já os resultados de operações financeiras registaram um decréscimo de 16,8 milhões de euros devido aos menores ganhos registados na carteira ao justo valor, face ao período homólogo de 2021.

Nos custos de estrutura verificou-se um aumento de 43,4 milhões de euros. Esta variação, refere a Caixa, “inclui fatores não recorrentes, no valor de 60,8 milhões de euros, relacionados essencialmente ao ajustamento de provisões de benefícios pós-emprego e ajustamento nos custos previstos com o programa de pré-reformas, cujo impacto é parcialmente compensado ao nível do resultado líquido na rubrica de provisões”.

“Relativamente às provisões e imparidades registadas no período, a redução de 67,8 milhões de euros em março de 2022 face ao valor um ano antes, reflete um retorno a uma situação de relativa normalidade na gestão do risco de crédito após um período marcado pelas ações preventivas adotadas com o aparecimento da pandemia Covid-19”, diz a CGD. Considerando os já referidos fatores não recorrentes com impacto nas provisões e imparidades, esta rubrica teria diminuído 29,5 milhões de euros.

A carteira de crédito a clientes totalizou 53.393 milhões de euros em termos brutos, o que corresponde a um aumento de 1,7%, face ao final de 2021.

Ao nível da qualidade de ativos, houve uma redução face a dezembro de 2021 em 35 milhões de euros, ou seja, menos 1,6%, “em resultado da evolução positiva nas componentes de curas, recuperações e vendas”. O rácio de NPL atingiu 2,8%, valor que compara com 2,84% em dezembro de 2021.

Por outro lado, os depósitos de clientes aumentaram 1.292 milhões de euros (+1,6%), quando comparados com o final do ano anterior, evolução essencialmente justificada pela elevada taxa da poupança doméstica, ainda assim, abaixo do registado no início de 2021.

(Notícia atualizada com mais informação.)

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