Lucros da indústria da China registam primeira queda homóloga em três anos

Os lucros da indústria na China registaram uma queda homóloga de 1,8%, em novembro, o primeiro registo negativo desde 2015, acompanhando a tendência registada noutros indicadores económicos do país, face às disputas comerciais com Washington.

Presidente da República Popular da China, Xi Jinping

Os lucros da indústria na China registaram uma queda homóloga de 1,8%, em novembro, o primeiro registo negativo desde 2015, acompanhando a tendência registada noutros indicadores económicos do país, face às disputas comerciais com Washington.

Segundo o Gabinete Nacional de Estatísticas (GNE) chinês, os lucros ascenderam a 594.800 milhões de yuanes (75.840 milhões de euros), em novembro, uma queda de 3,6%, face ao mês anterior.

Nos primeiros onze meses do ano, os lucros totais das firmas industriais da China fixaram-se em 6,17 biliões de yuan (784.516 milhões de euros), 11,8% mais do que no mesmo período do ano passado.

Entre janeiro e outubro, a subida dos lucros fixou-se em 13,6%, em termos homólogos.

Entre os 41 setores inquiridos pelo GNE, 29 registaram um aumento dos lucros, nos primeiros onze meses do ano, incluindo o setor do petróleo, aço, material de construção ou produtos químicos.

He Ping, estatístico do GNE, atribuiu a redução dos lucros, em novembro, à “queda nas vendas e aumento dos custos de produção”.

No mesmo mês, a produção industrial, outro importante indicador da segunda maior economia mundial, aumentou 5,4%, em novembro, face ao mesmo mês do ano passado, depois de ter subido 5,9%, em outubro. Foi a menor subida dos últimos dez anos.

O aumento das vendas a retalho, o principal indicador do consumo privado, recuou para 8,1%, o ritmo mais lento desde maio de 2003, depois de se ter fixado nos 8,6%, em outubro passado.

Os dados revelam que o crescimento da segunda maior economia do mundo deve abrandar no último trimestre do ano, depois de se ter fixado nos 6,5%, no terceiro trimestre, o ritmo mais baixo dos últimos dez anos.

Analistas preveem que a economia chinesa registe um declínio acentuado, ao longo da primeira metade do próximo ano, refletindo o pleno efeito das taxas alfandegárias impostas pelos EUA.

A ascensão ao poder de Donald Trump nos EUA ditou o espoletar de disputas comerciais, com os dois países a aumentarem as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

A liderança norte-americana teme perder o domínio industrial global, à medida que Pequim tenta transformar as firmas estatais do país em importantes atores em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos.

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