Lucros da Sonae caem 4,2% no trimestre para os 92 milhões de euros (com áudio)

O aumento da inflação e dos custos da energia já estão a impactar no balanço da Sonae. Que, afirma, não transfere todos os aumentos para o cliente final, em detrimento das margens do negócio.

Cláudia Azevedo, 48. Presidente-executiva (a partir de 2019) da Sonae.

O Grupo Sonae registou um resultado líquido de 92 milhões de euros no terceiro trimestre de 2022, uma diminuição de 4,2% em relação ao período homólogo do ano passado – num quadro em que o aumento da inflação e a não transferência total desse aumento para os clientes – nomeadamente na área alimentar – já se está a fazer sentir. Por outro lado, o volume de negócios consolidado cresceu 15%, superando os dois mil milhões de euros, “sustentado por sólidos ganhos de quota de mercado nos vários negócios do grupo”.

O EBITDA subjacente atingiu 181 milhões de euros, “com a energia e os preços de produção a pressionarem a estrutura de custos e a conduzirem a uma redução das margens”. O investimento ascendeu a 579 milhões nos últimos 12 meses, dos quais 253 milhões em aquisições, com a Bright Pixel a realizar dois novos investimentos e a reforçar participação em tecnológicas. As vendas internacionais agregadas cresceram mais de 40% nos últimos nove meses do ano.

Para a CEO do grupo, Cláudia Azevedo, “durante o terceiro trimestre, continuámos a viver um ambiente geopolítico e macroeconómico complexo e volátil. Os níveis crescentes de inflação e de taxas de juro, juntamente com os custos de energia consistentemente elevados, têm afetado significativamente as nossas comunidades”, referiu, citada em comunicado enviado à CMVM.

“Apesar deste contexto, os nossos negócios conseguiram, mais uma vez, aumentar os seus níveis de investimento, reforçar as suas propostas de valor e apoiar as famílias a enfrentar estes desafios, nomeadamente mantendo preços competitivos e respondendo às novas necessidades dos consumidores”. Neste contexto, “a rentabilidade foi naturalmente afetada pelos custos recorde de energia e transporte, pelos preços de abastecimento mais elevados e pelos movimentos de migração para produtos de gama e preço inferiores”.

O valor líquido do portefólio (NAV) atingiu os quatro mil milhões no final dos nove primeiros meses de 2022, ligeiramente acima do valor registado no primeiro semestre do ano (3%). Relativamente ao desempenho operacional, o EBITDA subjacente atingiu 440 milhões nos nove meses em referência, menos apenas 0,3 pontos percentuais que no mesmo período do ano passado. As mais-valias registadas conduziram a um EBITDA consolidado de 544 milhões nos nove primeiros meses, mais 3,4% que no homólogo.

Relativamente à atividade de gestão do portefólio, os investimentos totalizaram 253M€, incluindo a aquisição de 10% na Sierra, a participação adicional na NOS e os investimentos da Bright Pixel tanto em novas empresas como no reforço das suas participações. Apesar disso, a dívida líquida situou-se em 1.022 milhões de euros e a estrutura de capitais do “manteve-se sólida, com rácios de alavancagem e níveis de liquidez muito confortáveis”, “estando o grupo totalmente financiado até ao início de 2024 e com um custo médio de financiamento de cerca de 1%”.

 

Análise por negócio

Na MC as vendas totais atingirem 1,6 mil milhões de euros no terceiro trimestre do ano, um crescimento de 16% em termos homólogos e uma evolução do LfL de +13,3%. “Este desempenho positivo foi transversal aos formatos alimentares e não alimentares. O volume de negócios dos nove meses atingiu 4,3 mil milhões de euros, um crescimento de 10,6% em termos homólogos (LfL de +8,6%)”. O EBITDA subjacente situou-se em 158 milhões no terceiro trimestre (mais 5% em termos homólogos), com uma margem de 9,9%, “conduzindo a um valor de 400 ilhões nos nove meses em referência (mais 4%, em termos homólogos) e uma margem de 9,3%. Relativamente ao investimento (capex), a MC investiu 61 milhões no terceiro trimestre

No retalho de eletrónica, a Worten registou no terceiro trimestre um volume de negócios de 315 milhões, mais 10,6% em termos homólogos (LfL de +8,5%), “sustentado pelo contributo positivo de categorias de venda sazonais devido às temperaturas elevadas no verão”. O EBITDA subjacente no terceiro trimestre situou-se em 21 milhões, mais 3,1% em termos homólogos, com uma margem de 6,5%. Nos nove meses, o EBITDA subjacente ficou abaixo do valor do ano passado.

No setor imobiliário, durante o trimestre, a Sierra “registou um forte desempenho operacional em todas as áreas de negócio, em particular no seu portefólio de centros comerciais que apresentou um crescimento de vendas de 25,2%, em termos homólogos, e de 11,9% face ao terceiro trimestre de 2019, de forma consistente nas diversas geografias dos seus ativos”. Adicionalmente, as taxas de ocupação continuaram a aumentar, atingindo 97,5%. Na área de serviços, a Sierra “aumentou os seus ativos sob gestão não relacionados com centros comerciais através de veículos de investimento, formalizando novos contratos de gestão de ativos e continuando a expansão da Reify para novos setores e geografias”. As receitas da área de serviços cresceram 9,5% em termos homólogos no trimestre. O resultado líquido da Sierra do terceiro trimestre situou-se em 17 milhões, mais 6 milhões face ao homólogo. Em termos acumulados, o resultado líquido atingiu 45 milhões no final dos nove meses do ano.

No trimestre, o retalho de moda, o volume de negócios total da Zeitreel cresceu 8% em termos homólogos (LfL de +2,6%), para 102 milhões, e um crescimento de 20% nos nove meses para 276 milhões. As vendas online continuaram também a registar uma evolução positiva. A Zeitreel registou uma melhoria do EBITDA subjacente de dois milhões no trimestre e de 8 milhões nos nove meses, para os 17,3 milhões.

Durante o trimestre o Universo a produção aumentou 13% em termos homólogos, atingindo 824 milhões de euros nos nove meses, um crescimento de 16% face ao homólogo. O volume de negócios aumentou 4 milhões no trimestre e 13 milhões nos nove primeiros meses de 2022. O EBITDA subjacente aumentou quatro milhões e 10 milhões para os mesmos períodos.

Durante o último trimestre, o negócio de corporate venture da Sonae “continuou muito ativo, investindo cerca de 20 milhões” na expansão do seu portefólio e no reforço de participações. No final dos nove meses, o capital investido no portefólio ativo atingiu os 192 milhões, mais 12% numa base trimestral e mais 14,5% face ao final do ano de 2021.

No retalho de desporto, entre maio e julho, a ISRG registou vendas totais que cresceram 41,5% em termos homólogos, para 321 milhões. O EBITDA aumentou 8,5 milhões em termos homólogos no trimestre e 26,3 milhões nos últimos nove meses.

Nas telecomunicações, no terceiro trimestre, o volume de negócios da NOS aumentou 4,1% em termos homólogos, para 381,5 milhões, mais 3% no segmento de telecomunicações e mais 22,8% no segmento de media e entretenimento, atingindo 1,1 mil milhões de euros nos nove primeiros meses de 2022 (mais 7,5% em termos homólogos). O EBITDA do trimestre cresceu 3,9% para 178 milhões, mais 5,1% em termos homólogos no segmento de telecomunicações, atingindo 500 milhões nos nove meses (mais 22 milhões em termos homólogos).

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