Lucros do BBVA crescem 31% no terceiro trimestre mas provisões pressionam

O banco espanhol obteve lucros de 1,84 mil milhões de euros no terceiro trimestre, acima dos 1,55 mil milhões de euros previstos pelos analistas consultados pela Reuters. Mas o aumento das provisões e dos custos pressionaram as ações.

Os lucros do espanhol BBVA cresceram 31% no terceiro trimestre face ao mesmo período do ano passado, superando as estimativas dos analistas. Isto não foi, contudo, suficiente para evitar a queda das ações do banco, pressionadas pelo aumento das provisões e dos custos em alguns mercados.

O crescimento do negócio no México, o mercado principal do BBVA, ajudou o banco a registar um aumento do resultado líquido para 1,84 mil milhões de euros, acima dos 1,55 mil milhões de euros previstos pelos analistas consultados pela Reuters. Já em termos consolidados, os lucros crescerem 46% para 4,8 mil milhões de euros entre janeiro e setembro.

A margem financeira avançou 40,2% para 5,26 mil milhões de euros, superando a estimativa de 4,83 mil milhões.

No entanto, as provisões para risco de crédito cresceram 51%, em termos homólogos, para 940 milhões de euros. São várias as instituições financeiras a nível global que estão a colocar mais dinheiro de parte para responderem a uma potencial deterioração do cenário macroeconómico.

O custo do risco do BBVA aumentou para 86 pontos base, em comparação com 81 pontos base no final de junho, mas abaixo dos 100 pontos base previstos para o total do ano.

Por outro lado, os efeitos da inflação, em particular nos mercados emergentes, levaram a um crescimento de cerca de 20% nos custos, em termos homólogos.

Isto levou as ações do segundo maior banco espanhol em valor de mercado a recuarem. Os títulos estavam, há pouco, a ceder perto de 4%, depois de terem valorizado 26% nos últimos três meses.

De acordo com Nuria Alvarez, analista da corretora Renta 4, “a queda das ações estão relacionadas com as dúvidas em torno da evolução futura do negócio e das implicações relativamente à decisão anunciada ontem pelo BCE” de que vai subir as taxas de juro que está a cobrar aos bancos nos empréstimos de longo prazo que concedeu durante a pandemia.

Recomendadas

Saídas de capital do Credit Suisse quase estancadas e já se nota regresso de depositantes de elevado património

O banco deverá ter perdido cerca de 10% dos fundos depositados na operação de gestão de ativos, devido a desconfianças dos clientes relativamente à solvabilidade da instituição.

“Falar Direito”. “Renegociação? Medida deveria abranger outro tipo de créditos mais onerosos”

Na última edição do programa da plataforma multimédia JE TV, advogado Francisco Barona, sócio do departamento financeiro e governance da Sérvulo, considerou que o diploma referente à renegociação do crédito à habitação deveria ser mais abrangente, tendo em conta a contração de outros créditos mais onerosos.

Juro médio dos novos depósitos de particulares dispara em outubro para máximo de cinco anos

Segundo os dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), “em outubro o montante de novos depósitos a prazo de particulares foi de 4.726 milhões de euros, remunerados a uma taxa de juro média de 0,24%”.
Comentários