Lucros do BCP sobem para 74,5 milhões de euros no primeiro semestre

O BCP obteve um resultado positivo de 74,5 milhões de euros no primeiro semestre, multiplicando por seis os lucros face ao mesmo período do ano passado. O ROE situa-se nos 2,8%.

Cristina Bernardo

O BCP obteve lucros de 74,5 milhões de euros no primeiro semestre, o que representa um aumento face aos 12,3 milhões de euros registados mesmo período do ano passado. Os resultados do banco liderado por Miguel Maya voltaram a ser impactados pela operação na Polónia.

De acordo com o comunicado divulgado esta quarta-feira na CMVM, o banco indica que as contas foram influenciadas pelo “aumento dos proveitos core do grupo em 22,7% com custos controlados”, que subiram 1,5%, e pelas contribuições obrigatórias para entidades nacionais do setor bancário em Portugal de 62,2 milhões de euros.

Além disso, houve ainda “efeitos extraordinários relacionados com o Bank Millennium incluindo encargos de 257,82 milhões de euros associados à carteira de créditos em francos suíços, contribuição de 54,3 milhões de euros para o Fundo de Proteção Institucional polaco e registo da imparidade do goodwill do Bank Millennium de 102,3 milhões de euros”, afirma o BCP. As provisões e imparidades aumentaram 19,4% para 551,4 milhões de euros.

“No primeiro semestre de 2022, as dotações para imparidade do crédito (líquidas de recuperações) totalizaram 179,4 milhões de euros, apresentando um aumento de 14,3% face aos 156,9 milhões de euros contabilizados no mesmo período de 2021”, refere o comunicado.

Já o ROE – rentabilidade dos capitais próprios – fixou-se nos 2,8%. “Há um caminho grande a percorrer. Terá de ser um caminho consistente, trimestre a trimestre”, afirmou Miguel Maya, CEO do BCP, durante a apresentação de resultados que se realizou esta quarta-feira.

Neste período, a margem financeira alcançou 985,2 milhões de euros, o que representa um crescimento de 28,6% face aos 765,8 milhões de euros apurados no período homólogo do ano anterior. Esta evolução, explica, “resultou da melhoria da margem financeira na generalidade das geografias em que o banco opera, salientando-se o crescimento obtido pela subsidiária polaca, a ultrapassar os 50%”.

Por outro lado, as comissões líquidas aumentaram 9,8% face aos 352,9 milhões de euros registados nos primeiros seis meses de 2021, ascendendo a 387,6 milhões de euros no mesmo período do ano corrente. Um desempenho favorável que se verificou sobretudo na atividade em Portugal, onde as comissões cresceram 12,1% para 277,2 milhões de euros.

“Em termos consolidados, assistiu-se a uma melhoria generalizada dos vários tipos de comissões, refletindo em larga medida a progressiva normalização da atividade económica”, afirma o banco liderado por Miguel Maya.

Quanto ao crédito bruto, este ascendeu a perto de 58,7 mil milhões de euros, o que representa um aumento de 2%, “sobretudo por via do desempenho da atividade em Portugal”. Já os recursos totais de clientes cresceram 3,6% para perto de 91 mil milhões de euros. Já o rácio de malparado (NPL) caiu para 1,5%.

O rácio de capital total e rácio CET1 fully implemented situaram-se nos 15,3% e nos 11,3%, respetivamente.

(Notícia atualizada com mais informação.)

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