Luis de Guindos considera que BCE subestimou inflação e deve agora subir juros

Para além do vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), também o presidente do Bundesbank defende novas subidas das taxas de juro.

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, afirmou numa entrevista ao jornal Politico, publicada hoje, que a entidade subestimou a inflação e deve agora aumentar as taxas de juro.

“Todos subestimámos a dinâmica da inflação. Os preços da energia têm tido muito a ver com a evolução da inflação. Ao olharmos para a trajetória dos preços da energia, podemos explicar uma parte importante da evolução da inflação”, disse De Guindos na entrevista.

Na sua opinião, “há uma elevada probabilidade de que o crescimento trimestral no quarto trimestre deste ano seja negativo”, e que este crescimento se mantenha assim nos primeiros três meses de 2023, o que significa uma recessão técnica, mas que não será muito profunda.

De Guindos acrescentou que o BCE irá aumentar as taxas de juro para um nível que dependerá dos dados, da evolução da inflação, das condições económicas, da procura e dos preços da energia.

 

Presidente do Bundesbank defende novas subidas das taxas de juro

O presidente do Bundesbank (banco central alemão), Joachim Nagel, considera que o Banco Central Europeu (BCE) precisa de aumentar ainda mais as taxas de juro.

Num simpósio sobre banca organizado pelo Bundesbank, Nagel disse hoje que “são necessárias mais subidas das taxas de juro para levar a taxa de inflação para 2%”.

A dimensão de cada aumento e até que ponto as taxas de juro irão aumentar dependerá da evolução dos dados e das perspetivas, de acordo com o presidente do Bundesbank.

Nagel disse que também parte da normalização da política monetária é a redução da dívida do BCE, que é de quase cinco biliões de euros e coloca uma pressão significativa no sentido da baixa dos rendimentos das obrigações na zona euro.

Recomendadas

PremiumBCE e Fed avaliam peso da subida de juros e ritmo pode abrandar nas próximas reuniões

As atas das mais recentes reuniões de política monetária na zona euro e EUA mostram uma preocupação de ambos os bancos centrais com o abrandamento da economia, dando esperanças de subidas menos expressivas dos juros nos próximos meses, embora os sinais neste sentido sejam mais fortes do outro lado do Atlântico.

Musk tinha um plano para o Twitter? Veja as escolhas da semana no “Mercados em Ação”

Conheça as escolhas da semana do programa da plataforma multimédia JE TV numa edição que contou com a análise de Nuno Sousa Pereira, head of investments da Sixty Degrees.

PSI encerra no ‘vermelho’ em contra ciclo com a Europa

Lá fora, as principais praças europeias negociaram maioritariamente em terreno positivo. O FTSE 100 valorizou 0,32%, o CAC 40 ganhou 0,08%, e o DAX apreciou 0,01%. O espanhol IBEX 35 manteve-se estável.
Comentários