Lula da Silva recebeu companheiros na luta dos trabalhadores que recusa abandonar

Centenas de sindicalistas encheram hoje o Palácio do Planalto para ouvirem o Presidente brasileiro, Lula da Silva, um “companheiro de luta” que se mostra mais moderado, mas que se recusa a abandonar os seus.

Paulo Whitaker/Reuters

Centenas de sindicalistas encheram o Palácio do Planalto para ouvirem Inácio Lula da Silva, um “companheiro de luta” que se mostra mais moderado, mas que se recusa a abandonar os seus. Frases como “só a luta faz a lei”, “vamos à luta até à vitória” e “liberdade para lutar, liberdade para os trabalhadores” foram sendo proferidas ao longo dos discursos dos 10 líderes sindicais para as centenas de ouvintes presentes no Palácio do Planalto, entre eles Lula da Silva, que aplaudia.

Por momentos, Luiz Inácio Lula da Silva, e o seu partido, voltavam às raízes onde tudo começou, quando o antigo metalúrgico emergiu na cena política nacional ao liderar o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema e fundar o Partido dos Trabalhadores (PT).

“O debate do salário mínimo não pode ser controlado pelo Deus mercado”, afirmou o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Adilson Araújo, pouco antes de Lula da Silva e do seu ministro do Trabalho não se comprometerem com um número para o novo salário mínimo, atualmente de 1.302 reais (234 euros), mas apenas sobre a criação de um grupo de trabalho para discutir o aumento da remuneração mínima.

Depois dos longos 10 discursos dos líderes sindicais, enfim, a vez de Lula da Silva. A plateia levantou-se para cantar em uníssono o nome do companheiro.

“Eles acham que o mundo moderno não precisa de sindicatos, mas a democracia, quanto mais forte, mais precisa de sindicatos”, disse Lula da Silva, referindo-se aos outros que não são companheiros de luta, admitindo, no entanto, que é necessário a construção de “uma nova estrutura sindical, com direitos e numa economia diferente dos anos 80” do século passado.

“O mundo do trabalho mudou”, afirmou, notando depois encontrar várias caras conhecidas dos anos de 1980 que ainda são sindicalistas.

Depois, veio o salário mínimo. Lula da Silva tinha prometido uma subida para 1.320 reais (237 euros), mas não existe consenso entre o Governo devido ao custo orçamental que tal medida acarretaria.

“O salário mínimo tem que subir de acordo com o crescimento da economia, o salário mínimo tem que crescer conforme o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]”, afirmou o chefe de Estado, aos cerca de 500 sindicalistas na plateia.

Por fim, chegou a vez dos impostos. Aqui, o Presidente brasileiro assumiu que está em “briga com economistas do PT”. Lula da Silva quer isenção de impostos para quem recebe até 5.000 reais (900 euros).

“O pobre paga mais proporcionalmente do que quem ganha 100.000 reais”, frisou o antigo sindicalista, acrescentando que “quem recebe muito paga pouco”.

Os economistas do PT, explicou Lula da Silva, disse que as pessoas que estão no escalão de até 5.000 reais “são 60% da arrecadação” dos impostos do Estado brasileiro. “Vamos mudar a lógica, diminuir para o pobre e aumentar para o rico”, sublinhou.

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