Lula e a (boa) educação

Diogo de Sousa-Martins é professor convidado da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. É licenciado em Ciências Farmacêuticas, Pós-graduado em Competitive Intelligence, MBA em Marketing, Mestrado em Marketing Estratégico e Doutorado em Oftalmologia.


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Ainda no rescaldo de (mais uma) acusação à integridade da família Lula da Silva, exposta pela operação Zelotes, na qual se acusa o filho do ex-presidente do Brasil, Luís Cláudio, de ter recebido 2,4 milhões de reais por uma suposta consultoria “inexistente”, o pai Lula avança com a sua habitual estratégia de comunicação.

Aparentemente imune às recentes ameaças de tom perigosamente elevado a um impeachement do governo que ajudou a criar, o pai Lula personifica um caso singular de resiliência, consequência de uma mistura explosiva entre ideologia e ilusão autoconcebida e descaso pela inteligência da audiência a que se dirige.

Num evento organizado pelo jornal espanhol El País, na passada sexta-feira, Lula insinua claramente que os atrasos na educação do Brasil são culpa da colonização portuguesa. Lula comete uma imprudência estratégica grave, pois a audiência que o ouve não depende da “bolsa-família” petista , não é potencial cliente do negócio de influência política na cúpula do Planalto, nem é desprovida de conhecimentos de história.

A audiência sabe – ou no limite, foi lembrada por mentes mais atentas – que as bases do ensino superior brasileiro foram criadas no século XVII, muito dentro da hegemonia portuguesa cessada em 1822 e que a primeira instituição de ensino superior foi criada no Brasil em 1792.

A tentativa de escoar o ónus do atraso marcado do sistema de educação brasileiro para uma colonização que abandonou o país há quase 200 anos e que nele inaugurou o ensino superior, não fica bem. Talvez o pai Lula tenha uma noção errada do conceito holistico de educação, tanto a nível de estudo prévio, como a nível do respeito, da responsabilização e do rigor.

Rigor esse, que provavelmente, pode ter sido falhado na educação que o pai Lula passou ao filho, a julgar pelo relatório da suposta consultora que o seu escritório prestou a autoridades do governo e que, segundo a Polícia Federal Brasileira, não passam de cópias integrais de conteúdo disponível na internet, sobretudo na “wikipedia”.

O Brasil é um país maravilhoso e os brasileiros não ficam atrás. Merecem a melhor da educação que puderem ter. Mas certamente – oremos – não a que o clã Lula nos habitou.

Por Diogo de Sousa-Martins,
Professor convidado da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. É licenciado em Ciências Farmacêuticas, Pós-graduado em Competitive Intelligence, MBA em Marketing, Mestrado em Marketing Estratégico e Doutorado em Oftalmologia.

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