LX Living “é o começo” de vários projetos

O construtor sul africano diz que veio para ficar em Portugal, e apesar do seu foco atual estar em Lisboa, já tem o Porto e o Algarve no horizonte.

O LX Living, localizado perto das Amoreiras, é composto por 151 apartamentos, divididos em dois edifícios de sete pisos, num investimento de 90 milhões de euros. O projeto imobiliário de Lisboa vai começar a ganhar forma a partir de fevereiro de 2020, e está a cargo de uma joint venture composta pela construtora imobiliária suíça, GMG Real Estate, a Skybound Capital, empresa investidora e a Neworld, liderada por John Rabie, um dos principais construtores da África do Sul. Conhecido pela construção da Century City – uma cidade dentro da Cidade do Cabo -, com mais de quatro mil habitações e 500 espaços comerciais, que custou perto de dois mil milhões de euros, John Rabie revela em entrevista ao Jornal Económico, que está para ficar em Portugal e que este é apenas o primeiro de vários projetos no seu horizonte.

Como surgiu a hipótese de investir em Portugal?
O Newman Leech, CEO da GMG, foi visitar-me à Cidade do Cabo para observar os nossos projetos e perguntou-me se já tinha visitado alguma vez Portugal. Disse-lhe que ainda não, mas que adoraria. Aterrei em Lisboa há um mês e como se costuma dizer, foi amor à primeira vista. Digo isto, porque a Cidade do Cabo e Lisboa, bem como as pessoas são muito parecidas. São povos acolhedores, eficientes, que sabem o que querem e como tal sinto-me confortável aqui desde o primeiro dia.

O que mais o atraiu no país?
Vimos o potencial da forma de pensar dos portugueses e de valorização dos nossos produtos. Por outras palavras, se alguém vender 10 mil euros por metro quadrado, nós queremos vender mais barato. Fazemos isso através da nossa arquitetura e da forma como gerimos o projeto. Portugal tornou-se muito popular. Não por causa dos golden visa, mas porque as pessoas de todas as partes do mundo querem visitar um país que tem um clima incrível. Não precisei de explicar aos meus investidores o porquê da opção por Portugal, eles já sabem as razões. Já viajei por vários países do mundo para desenvolver projetos, e em Portugal sabia que podia fazer alguma coisa especial.

Podemos esperar mais projetos não só em Lisboa, mas no resto do país?
Sim. Gostamos muito do Algarve e de zonas nos arredores de Lisboa, como Cascais. O Porto é uma cidade incrível e está no nosso horizonte, mas neste momento estamos concentrados em Lisboa. Isto é apenas o começo. Se me perguntam se irei viajar para outro país e pensar em outros projetos? Não. Este foi o país que escolhi. Portugal é como se fosse a minha esposa neste momento.

Lisboa ou outra zona do país pode transformar-se numa Century City?
O Parque das Nações (que ainda não visitei) é uma Century City e está para Lisboa, como o município de Sandton está para Joanesburgo. Se podemos construir uma outra Century City, não consigo dizer. Um mercado que queremos explorar em Portugal destina-se a pessoas que já estão reformadas. Este é um grande mercado, porque as pessoas envelhecem e começam a pensar para onde vão, os filhos ponderam o que vão fazer com os seus pais. Acredito que existe espaço para este mercado no sul de Portugal.

O projeto LX Living tem compradores portugueses?
Sim, nomeadamente emigrantes que residem na África do Sul, originários da ilha da Madeira, mas também seis compradores que vivem em Portugal. Neste momento faltam vender 15% dos 151 apartamentos.

Já tem data de conclusão?
Sim, vamos iniciar a construção em fevereiro de 2020 e queremos ter tudo finalizado entre novembro e outubro de 2021.

Hoje o seu negócio é na base da construção, mas a sua carreira começou na pintura.
Sim em 1978 com o meu amigo e sócio Leo Cohen. A minha vida e história tem sido em redor da construção. Tem sido uma grande viagem na qual temos feito coisas incríveis, em tempos muito interessantes, porque vivemos a antiga e a nova África do Sul. Nada é fácil na vida e tivemos de trabalhar muito.

Em que altura percebeu que esta foi a escolha acertada?
Tentei sempre entender o cliente. As primeiras casas que construí tinham 800 metros quadrados e estava a vendê-las por dois mil euros, o que era barato naquela altura. Mas sempre acreditei que podia fazer o negócio crescer cada vez mais e melhor. Agora, com toda essa experiência acumulada cheguei a Lisboa e no meu coração (embora não tendo 100% de certeza) sabia que podia fazer alguma coisa especial aqui.

As primeiras impressões são sempre as mais importantes?
Neste negócio, o tipo de terreno e onde fica localizado é a prioridade número um. Depois temos a arquitetura, quem vai construir e os tipos de materiais usados. É como os raios de uma roda, se algum deles parte, tudo o resto se desmorona.

É o efeito dominó.
Exatamente. Isto é um negócio muito complexo. Outro aspeto positivo em Portugal é que tem uma forte regulação, onde podes gerir o património e aquilo que podes ou não fazer com ele, o que é muito importante.

É mais desafiante construir algo do zero, do que reconstruir?
É mais difícil mudar o que já existe, do que fazeres algo a partir de um desenho. No projeto do LX Living, nós derrubámos os antigos edifícios, colocámos um novo solo e vamos por aí acima.

Nos anos 80 chegou a construir cinco residências por mês. Como foi isso possível?
Sim é verdade. E a uma determinada altura passei das cinco unidades para as 1.500. Isso aconteceu porque o Governo começou a dar mais subsídios, então a construção de habitações ‘explodiu’. Quando surgiu a recessão o negócio voltou a descer, era como se andássemos ao ritmo de um ‘acordeão’.

De um modo global como vê o mercado imobiliário hoje em dia?
Acho que está preparado para os promotores profissionais. Tens que ser profissional, porque de outra forma não podes ‘jogar este jogo’. Tens de ter experiência para não cometer erros, porque o mercado já não funciona como há 40 anos em que podias recuperar. Hoje, ou fazes bem ou fazes mal.

Artigo publicado na edição nº 1994, de 21 de junho, do Jornal Económico

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