Macedo cria oportunidade única para remodelação. Passos diz não

Marcelo Rebelo de Sousa aconselhou Pedro Passos Coelho a uma remodelação profunda, aproveitando a demissão do ex-ministro Miguel Macedo. Passos deverá manter-se fiel à linha de sempre e que é “aguentar o mais possível”. Assim aconteceu com Vítor Gaspar e ainda assim tentou junto de Macedo. Este aguentou 72 horas e depois tornou-se irreversível: quis […]

Marcelo Rebelo de Sousa aconselhou Pedro Passos Coelho a uma remodelação profunda, aproveitando a demissão do ex-ministro Miguel Macedo. Passos deverá manter-se fiel à linha de sempre e que é “aguentar o mais possível”. Assim aconteceu com Vítor Gaspar e ainda assim tentou junto de Macedo. Este aguentou 72 horas e depois tornou-se irreversível: quis sair e de imediato.

Ainda recentemente, Passos “aguentou” o ministro da Educação, Nuno Crato, que conseguiu gerar a maior trapalhada na colocação dos professores dos últimos 20 anos, enquanto Paula Teixeira da Cruz não foi crucificada com o “debacle” do Citius e que poderia colocar em causa o regular funcionamento da justiça. Mais recentemente houve o caso de Rui Machete, o MNE que revelou segredos de Estado e foi criticado por Aguiar Branco, Miguel Macedo e Paula Teixeira da Cruz. Nada aconteceu e o ministro mantémse em funções.

Macedo constitui um problema, mas também poderia ser uma oportunidade para Passos Coelho. Antes de mais, a saída de Macedo é um problema porque, à semelhança de Relvas, era um dos ministros de mão de Passos Coelho, um ministro de toda a confiança. Macedo tinha ainda o beneplácito da generalidade dos comentadores e analistas e isso viu-se por aquilo que foi escrito logo após a sua saída. Era ainda um ministro que queria pouco mediatismo, o que era bom. Mas cai quando se apercebe que no cenário desenvolvido pela PJ o seu nome está lá, está nas escutas e nas fotografias e está nas ligações de amizade. É, por isso um ministro “tramado pelas amizades”.

As revelações do CM são cruciais e aliás, politólogos como José Adelino Maltez, acreditam que “a procissão ainda vai no adro”. Macedo que não é suspeito pode passar a sê-lo à luz da opinião pública, enquanto não forem explicadas as conversas.

Claro que o cenário faz lembrar o momento crítico de Vara e o sucateiro a propósito dos robalos. Aqui temos um bilhete para o futebol e possivelmente umas garrafas de vinho. Claro que pode haver muito mais. Mas o momento também pode ser de oportunidade para uma remodelação que não seja apenas no MAI. Fontes políticas não acreditam que Passos modifique a estratégia habitual, mas antes que apresente rapidamente um nome em Belém.

Até à hora de fecho da edição não era conhecido esse nome, mas a expetativa era que viesse a ser conhecido entre ontem à noite ou, na pior das hipóteses, durante o dia de hoje. Entre os cenários que circulavam ontem estava o nome de Marques Guedes para o MAI, o que significa a escolha de um novo ministro da Presidência, podendo ainda partir a pasta e reforçar a coordenação política com a escolha de um ministro dos Assuntos Parlamentares. A estratégia foi lançada por Rebelo de Sousa no programa de comentário da TVI.

SERÁ NOME DO PSD
Passos Coelho precisa de manter a estabilidade na relação de forças entre o PSD e o CDS. Paulo Portas tem insistido numa remodelação alargada com o objetivo de não deixar cair o Governo “aos pedaços”.

Na cena política foram surgindo ao longo da tarde de ontem outros nomes como o de Luís Montenegro, o líder parlamentar da bancada do PSD, mas aí a grande questão que se coloca é saber se deve mexer na equipa “que vence”. Montenegro tem-se revelado imprescindível naquele papel.

Há ainda a questão de ter o nome ligado à maçonaria, o que nas condições atuais dificulta a escolha. Depois vem o nome de José Matos Correia, mas este político foi chefe de gabinete de Durão Barroso e não estará disponível para qualquer cargo desta natureza. Este foi um dos poucos políticos que reagiu à saída de Macedo. Fernando Negrão tem o inconveniente de estar à frente da comissão parlamentar do BES e de ter sido diretor nacional da PJ e passou a candidato autárquico.

Para as polícias isto seria considerado um tipo de “traição”. Teresa Leal Coelho é outro nome falado. Está casada com o ex-chefe de gabinete de Passos que agora é embaixador em Madrid.

Vítor Norinha

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