Macron enfrenta hoje ‘geringonça’ francesa em eleições legislativas

Há apenas dois meses, Macron bateu Marine Le Pen e a extrema-direita e enfrenta agora uma ‘brinquebalante’ composta por comunistas, verdes e socialistas. O presidente francês precisa de obter maioria para poder aprovar pacote de reformas num momento em que os preços disparam em França para desespero dos gauleses.

Os franceses vão hoje a votos na segunda ronda das eleições legislativas francesas. Depois de vencer Marine Le Pen e a extrema-direita nas eleições presidenciais em abril, Emmanuel Macron enfrenta hoje a ‘geringonça’ versão gaulesa, ou ‘brinquebalante’, apenas dois meses depois de ter sido reeleito.

Em causa, está o controlo da Assembleia Nacional: Macron precisa de conquistar 289 assentos de um total de 577 para obter a maioria no Parlamento de forma a poder aprovar as suas reformas, como o aumento da idade de reforma, redução de impostos ou benefícios para reformados.

Uma sondagem do “Politico” coloca a Ensemble com 264 a 299 assentos, e os Nupes com 175 a 215 assentos. Seguem-se Os Republicanos, conservadores, com 47 a 67 assentos, e a União Nacional de Marine Le Pen com 22 a 43 assentos. As mesas de voto abriram às 8h e encerram às 20h locais (19h em Lisboa).

Numa altura em que a inflação dispara a par do nível de vida, com o preço do combustível também a aumentar, com a ajuda da invasão russa da Ucrânia, a geringonça francesa acusa Macron de ter feito pouco pelos franceses nos últimos cinco anos. Por sua vez, a coligação apoiada por Macron acusa a geringonça de ser um “casamento de conveniência” entre socialistas, comunistas, mélenchonistas e verdes.

Na primeira-ronda, a 12 de junho, a coligação centrista Ensemble, apoiada pelo presidente Macron, venceu com 25,8%, uma ligeira margem face aos 25,7% dos Nupes (Nova União Ecológica, Social e Popular), a coligação socialistas-comunistas-verdes liderada por Jean-Luc Mélenchon do França Insubmissa. Segue-se a União Nacional de Le Pen com 18,7% e os Republicanos com 11,3%, liderados por Christian Jacob.

França conta com mais de 48 milhões de eleitores registados, mas a abstenção atingiu os 52% na primeira ronda, num total de 25,6 milhões de votantes.

Emmanuel Macron apelou esta semana aos franceses para irem votar, argumentando que era no “interesse superior da nação” dar-lhe uma “maioria sólida nestes tempos conturbados”: “Nada seria pior do que acrescentar desordem em França à desordem global”, segundo a “France 24”.

Em resposta, os líderes da Nupes destacaram a “arrogância” e o “pânico” de Macron. Mélenchon disse mesmo que o discurso do presidente parecia um “sketch de Donald Trump”.

Em 2017, as eleições foram vencidas pelos centristas do La Repúblique En Marche! agora parte do Ensemble, partido de Macron, com 53% dos votos, seguido pelos Republicanos com 19%.

O que promete o presidente Macron? Reformas no sistema de pensões, aumento da idade de reforma até aos 65 anos, reformas para travar o custo elevado de vida, medidas para emprego pleno, neutralidade carbónica, destaca a “BBC”.

O que promete a geringonça gaulesa? Idade de reforma desce para 60 a 62 anos, o salário mínimo (Smic) sobe para 15% para os 1.500 euros mensais, congelamento do preço de bens básicos e a criação de um milhão de postos de trabalho.

 

Recomendadas

Conselho da UE anuncia apoio de 40 milhões de euros para o exército da Moldávia

Este apoio complementa a contribuição europeia de sete milhões de euros, feita em dezembro de 2021, destinada na altura a capacitar o Serviço Médico Militar do Batalhão de Engenharia das Forças Armadas moldavas. 

Ucrânia: Diplomacia russa protesta contra afirmações ‘grosseiras’ de Johnson

Em comunicado, o Ministério adiantou que Deborah Bronnert recebeu um protesto “firme” contra “as afirmações abertamente grosseiras a respeito da Federação Russa, do seu dirigente, dos seus responsáveis, bem como do povo russo”.

ONU classifica de “revés” decisão judicial que limita regulação ambiental nos EUA

A ONU considerou que retrocessos em países que produzem grandes quantidades de emissões prejudiciais ao ambiente, como os Estados Unidos, tornam “mais difícil alcançar os objetivos estabelecidos no Acordo de Paris para um planeta mais saudável e em que se possa viver”.
Comentários